
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo, 4, que a corporação abriu uma apuração sobre possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A investigação atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo Rodrigues, o procedimento está em fase preliminar na Diretoria de Inteligência, e a portaria de instauração do inquérito ainda não foi publicada. As declarações foram dadas durante visita ao Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Brasília.
O pedido da AGU veio após reportagem publicada na quarta-feira, 30, pelo jornal britânico The Guardian. De acordo com o jornal, o governo de Donald Trump destinou cerca de 1 milhão de dólares de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado a um programa chamado Countering Lawfare and Censorship in Brazil (Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil, em tradução livre).
Na mesma ocasião, Rodrigues repetiu que a PF não encontrou elementos concretos que indiquem risco ou plano contra embaixadas. As representações dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam o atendimento nas vésperas das eleições, alegado “risco de segurança”.
Entenda o pedido da AGU que gerou a investigação
A AGU, órgão que representa o governo federal na Justiça, pediu na quinta-feira, 1º, que a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) investiguem se líderes da direita brasileira receberam dinheiro dos Estados Unidos para fazer campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e as instituições democráticas do país.
O objetivo central é identificar quem teria recebido os recursos do governo americano. “Caso comprovado, o recebimento de capital estrangeiro para a promoção de ataques ordenados e sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento das instituições do Sistema de Justiça brasileiro, mediante a instrumentalização de fundos internacionais desviados de sua finalidade original de proteção aos direitos humanos, poderá revelar uma estrutura de ingerência externa em assuntos internos do Estado brasileiro”, diz trecho dos ofícios.
Na semana passada, a campanha do presidente Lula (PT) pediu uma investigação eleitoral contra a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O argumento é que o senador e o irmão, Eduardo Bolsonaro, teriam cultivado vínculos que abririam caminho para uma intervenção do governo Trump no Brasil. A ação cita um fundo que teria sido usado para transferir dinheiro americano a líderes da direita brasileira.
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