
Um adolescente de 14 anos foi detido nesta segunda-feira, 12, no sudeste da França, por disparar uma espingarda em sua escola, ferindo o diretor da instituição e uma professora. O incidente ocorreu em meio uma onda de protestos estudantis por melhores condições na educação, que viu uma série de episódios violentos por parte dos manifestantes e de agentes de segurança. A polícia informou, porém, que o ataque não estaria vinculado à mobilização que agita o país desde o final de setembro.
O episódio transcorreu na escola Joseph-Lakanal, em Aubagne, perto de Marselha, por volta das 10h00 locais (5h00 em Brasília), quando o adolescente abriu fogo com uma espingarda de calibre 12. Segundo informações do jornal Le Parisien, ele levou a arma para o local escondendo-a em um estojo de guitarra.
“O suspeito, por um motivo desconhecido, disparou contra o diretor”, explicou à agência de notícias AFP o prefeito do departamento de Bocas do Ródano, Jacques Witkowski. O homem foi atingindo nas coxas e na região lombar.
“Ele disparou uma segunda vez contra uma professora, que foi atingida por um chumbinho na coxa; disparou uma terceira vez no corredor e, em seguida, foi interceptado por um membro” da equipe da escola, acrescentou.
A vida dos feridos não corre perigo, informou a polícia. Segundo essa fonte, uma terceira pessoa sofreu um arranhão leve.
Witkowski confirmou que o agressor trata-se de um aluno da instituição, sem antecedentes por “delinquência” ou “radicalização”. A Promotoria de Marselha confirmou à AFP a detenção do jovem.
Motivações do ataque
Assim que os fatos se tornaram conhecidos, pais de alunos foram em massa buscar seus filhos, e muitos permaneciam em frente à instituição, nos arredores da cidade, por volta do meio-dia.
Por enquanto, não se sabe as motivações do ataque.
“A instituição não foi afetada pela mobilização dos estudantes do ensino médio”, esclareceu a polícia local.
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O Ministro da Educação, Édouard Geffray, denunciou “um ato inaceitável” que seria “mais um exemplo do aumento da violência desenfreada em nossa sociedade, contra a qual todos devemos nos mobilizar”.
Vários ataques com arma branca cometidos por alunos em escolas chocaram a comunidade educacional na França nos últimos anos, incluindo o que tirou a vida de uma adolescente de 15 anos em Nantes, em abril de 2025.
Em uma publicação no X (ex-Twitter), o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou “total solidariedade e apoio” aos funcionários feridos da escola e aos alunos e aos pais “que estão em choque”.
“Saúdo a serenidade e a resposta exemplar da equipe educacional, que permitiram evitar o pior”, completou o mandatário.
O presidente do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, por sua vez, voltou a pedir uma reforma no sistema de justiça criminal que reduza a maioridade penal. “Ordem, autoridade, segurança, disciplina e respeito às regras devem retornar a todas as escolas na França”, bradou.
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