Irã diz ter recebido resposta oficial dos EUA sobre proposta para acabar com a guerra



Autoridades iranianas afirmaram nesta quarta-feira, 30, que receberam uma resposta formal dos Estados Unidos à proposta enviada por Teerã para encerrar com o conflito no Oriente Médio, informou a imprensa estatal. O conteúdo do documento não foi revelado.

“Na reunião do conselho de ministros celebrada hoje, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, apresentou a proposta da parte americana ao presidente Massoud Pezeshkian”, declarou à agência oficial Irna a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani.

Após mais de sete meses de conflito, desencadeado por ataques americanos e israelenses contra o Irã, as negociações indiretas entre americanos e iranianos foram retomadas na semana passada às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, embora divergências profundas ainda persistam.

A mais recente proposta do regime dos aiatolás para reiniciar as tratativas contém exigências como o fim das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos da república islâmica, a suspensão das sanções americanas sobre o petróleo do país e o fim do bloqueio dos portos iranianos. Em contrapartida, Teerã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz e retomar as negociações sobre seu programa nuclear.

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O plano foi apresentado por Teerã como um roteiro de sete dias para interromper os combates e destravar as negociações. O Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo comercializado no planeta, é um dos principais pontos de tensão do conflito. O governo iraniano afirma que a reabertura da passagem depende do cumprimento das condições estabelecidas na proposta.

Há alguns dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta iraniana, mas Teerã seguia aguardando uma resposta oficial por meio do Catar, que atua como mediador. Na segunda-feira, o republicano também afirmou que não ofereceu concessões ao Irã para encerrar a guerra, rejeitando relatos da imprensa que citavam autoridades americanas dizendo que ele estaria disposto a aliviar sanções e liberar fundos congelados em troca de medidas “concretas” relacionadas ao programa nuclear iraniano.

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Segundo o jornal americano The Wall Street Journal, Trump estava cético sobre o comprometimento do Irã em atender às demandas americanas e considerava retomar a campanha de bombardeios após as eleições de meio mandato nos Estados Unidos, um momento crítico para o governo. O pleito está marcado para 3 de novembro. Autoridades ouvidas pelo veículo afirmaram, contudo, que o mandatário americano está relutante em relação a grandes operações de combate, já que os EUA desejam reservar munições para outras contingências.

Na semana passada, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que cabe aos Estados Unidos decidir se pretendem encerrar ou prolongar a guerra contra seu país. Em entrevista à emissora Fox News, o iraniano afirmou que Teerã não tem interesse em manter o conflito iniciado em fevereiro e voltou a defender uma solução diplomática.

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“Quando as coisas podem ser resolvidas por meio do diálogo, não deveríamos nos matar. Mas, instigados por Israel, impuseram essa guerra a nós. Mas não queremos continuar. São os Estados Unidos que devem decidir se querem acabar com isso”, afirmou Pezeshkian à Fox News.

Pezeshkian também criticou o colapso do cessar-fogo firmado em junho e questionou por que o entendimento foi rompido pouco depois de sua assinatura. Ele salientou, ainda, que Teerã aceita negociar desde que um eventual acordo respeite as normas do direito internacional.

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“Se o atual governo americano, dentro das estruturas jurídicas internacionais, quiser chegar a um acordo, perfeito. Caso contrário, antes ou depois das eleições legislativas americanas, que diferença faz para nós?”, concluiu.

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