
O escândalo das mensagens de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes deu um novo significado aos eventos marcados para este feriado de 7 de setembro no país.
A menos de trinta dias do primeiro turno das eleições, as comemorações da independência do Brasil, antes marcadas para ser um duelo sobre projetos de país — com adversários questionando a gestão de Lula enquanto o petista defende seu legado –, tornaram-se um movimento nacional sobre o funcionamento das instituições brasileiras.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo sobre um relatório da Polícia Federal que mostrou que o ministro Moraes era acionado pelo dono do Banco Master enquanto tentava se livrar de investigações de fraudes bilionárias.
O ministro do STF recebeu pedidos do banqueiro para barrar investigações, para descobrir detalhes de processos sigilosos e para influenciar o chefe da PGR, Paulo Gonet, e o chefe da PF, Andrei Rodrigues, a evitar a prisão de Vorcaro. Enquanto essas mensagens sobre processos sigilosos eram trocadas, o banqueiro mantinha contratos multimilionários com a família de Moraes, que chegou a revistar uma das minutas de negócios firmados com o escritório de advocacia da mulher dele.
A gravidade dessas revelações colocou o STF no centro de um dilema sobre investigar ou não a conduta de Moraes.
Na quinta-feira passada, o ministro reagiu ao movimento de Mendonça incluindo o colega no inquérito das Fake News no STF e mandando a Edson Fachin, o presidente da Corte, uma decisão para que o relator do caso Master seja investigado por diferentes crimes. Fachin tirou o caso do inquérito que já dura sete anos no Supremo, deu prazo para todos os citados se manifestarem e anunciou ao país que nada seria abafado.
Os movimentos no STF, no entanto, mostram que há uma forte reação em curso para evitar que as investigações ocorram, o que serve de combustível para manifestações convocadas pela oposição, neste feriado, para cidades de todo o país. Em São Paulo, o ato terá a presença de Flávio Bolsonaro e deve ser o principal front da oposição no movimento para denunciar os eventos em curso em Brasília. O filho de Jair Bolsonaro tem na impopularidade do Supremo e no avanço da corrupção no país seus principais motores eleitorais.
Já Lula participará do desfile na Capital Federal, onde deve explorar temas como soberania nacional e pautas sociais como a importância da vacinação, o combate ao feminicídio e outras questões. Ciente de que perde votos com a crise no STF, o petista defendeu que as revelações sobre Moraes sejam investigadas. Presidente nacional do PT, Edinho Silva afirmou que o sistema está podre e precisa ser reformado.
A crise que envolve o STF já contamina o Palácio do Planalto, por ser o petista um aliado de Moraes. O mesmo se diz do Senado, onde Davi Alcolumbre é o principal defensor do magistrado e tem barrado pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
O Radar mostrou que o banqueiro Daniel Vorcaro tenta fechar um acordo de delação premiada. Ele já avisou que irá delatar o chefe da PF e que pretende explodir o sistema fazendo o que chama de “confissão pública”. Os movimentos no STF para anular todo o caso Master e tirar as investigações do gabinete de Mendonça podem beneficiar o banqueiro antes mesmo de qualquer revelação.
Nesse caminho, o papel de Edson Fachin é visto como fundamental para garantir que a crise não se aprofunde ainda mais. Há uma sinalização, no entanto, de que o STF pode engavetar o tema até depois das eleições, tentando evitar que um eventual acordão para abafar o caso não impacte nas urnas a favor de políticos que defendem impeachment de ministros do Supremo.
O tamanho da mobilização deste feriado, que ganhou adesão até de integrantes das igrejas católica e evangélica, deve servir de termômetro a políticos e integrantes do STF sobre a crise.
🔗 Ver fonte
Comentários
Postar um comentário