
Responsável pela pauta econômica do presidenciável Renan Santos, do partido Missão, o deputado federal Kim Kataguiri afirma já ter participado de “algumas dezenas”de reuniões com bancos, corretoras de valores, gestoras de ativos e empresas de análise de investimentos nas últimas semanas, apresentando o plano do companheiro do Movimento Brasil Livre (MBL) para ajustar as contas públicas e defendendo sua viabilidade eleitoral e política. Para convencer o mercado da possibilidade de seu aliado chegar ao segundo turno, o parlamentar não se furta às estocadas nos adversários à direita.
“Os eleitores do Flávio Bolsonaro sentem um constrangimento muito grande. É o voto mais envergonhado de todos, de uma massa formada por um voto antipetista. O Renan Santos está crescendo em um ritmo até mais rápido do que a gente esperava e ele é o único que tem militância orgânica. É o único que empolga, que faz o cara bater no peito: ‘Eu quero virar voto para o Renan’. Pelo Lula, esse movimento é muito enfraquecido. E, pelo Flávio, é inexistente”, declarou Kataguiri a VEJA.
Ao abordar com executivos da Faria Lima suas ideias para sanar as contas públicas — “todos do mercado dizem que, do ponto de vista fiscal, o plano do Renan Santos é o melhor de todos”, ele garante — , o deputado defende propostas difíceis de imaginar a preço de hoje, como desindexar os benefícios previdenciários do salário mínimo, acabar com os pisos constitucionais para a saúde e a educação e desvincular as emendas parlamentares ao Orçamento da receita corrente líquida, vinculando o valor disponível para os repasses indicados por deputados e senadores ao dinheiro para gastos discricionários (despesas com investimentos).
“Nosso plano tem uma viabilidade muito tranquila. Primeiro, porque o Congresso sabe que o orçamento vai colapsar e, se o orçamento colapsar, a gente sabe que a maior parte dos deputados são do Centrão, eles não vão ter emenda e vão colocar a própria reeleição em risco. O risco fiscal ameaça a própria sobrevivência política do parlamento. O segundo ponto é que, se o Congresso vê que o Executivo está dando o exemplo e cortando as próprias despesas, ele tem uma boa vontade muito maior de levar desgaste para ajustar as contas públicas”, argumentou Kataguiri.
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