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O Ibovespa operava em leve alta de 0,23%, aos 170.793 pontos, nesta segunda-feira, 24, após a forte alta registrada na sexta-feira. O mercado ajusta posições enquanto acompanha o pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, as novas projeções do Boletim Focus e os desdobramentos do cenário internacional.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o movimento envolvendo a Braskem aumenta a percepção de risco sobre a companhia, já que a recuperação extrajudicial indica a necessidade de renegociação de dívidas e pode gerar incertezas sobre prazos, condições de pagamento e eventual diluição dos acionistas. Ao mesmo tempo, uma negociação bem-sucedida poderia aliviar a pressão sobre o caixa da empresa e preservar suas operações, o que ajuda a explicar a possibilidade de forte volatilidade das ações.
Para a Petrobras, o impacto tende a ser mais limitado. Segundo Murad, a estatal possui 47% do capital votante da Braskem e mantém contratos relevantes de fornecimento de matérias-primas com a companhia. Ainda assim, as ações da Petrobras continuam mais diretamente influenciadas pelo preço internacional do petróleo, pela política de dividendos e pelas decisões do governo.
O mercado também acompanha a divulgação do Boletim Focus, que reúne as expectativas de economistas para inflação, juros, crescimento e câmbio. Segundo Murad, mudanças nas projeções podem influenciar especialmente empresas mais dependentes da economia doméstica. Expectativas de inflação mais elevada ou de juros altos por mais tempo tendem a pressionar companhias endividadas e ações mais sensíveis ao custo de capital. Caso o relatório desta segunda-feira não apresente alterações relevantes, porém, o impacto sobre o pregão deve ser limitado.
Para o consultor, a estabilidade do Ibovespa reflete principalmente a combinação entre a cautela com a Braskem, a saída recente de capital estrangeiro e a sustentação oferecida por grandes empresas exportadoras. No câmbio, o dólar permanece próximo de 5,14 reais, depois de recuar mais de 1% na sexta-feira. O real encontra algum suporte na fraqueza externa da moeda americana, mas as tensões no Oriente Médio e a possibilidade de novas sanções contra o Irã continuam mantendo os investidores em alerta.
Uma escalada do conflito que provoque nova pressão sobre o petróleo e a inflação global poderia fortalecer o dólar. Por outro lado, um ambiente internacional mais favorável, combinado a uma melhora nas expectativas fiscais brasileiras, poderia abrir espaço para uma nova valorização do real.
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