Taxa das blusinhas provoca pane no entorno de Flávio Bolsonaro



A taxa das blusinhas abriu a primeira divergência econômica relevante no entorno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. De um lado, o senador transformou o fim da cobrança sobre encomendas internacionais de até US$ 50 em bandeira popular. Do outro, representantes da indústria que vêm se aproximando de sua campanha pressionam pela retomada da alíquota de 20%.

A Fiemg voltou à carga após a entrada de 27,4 milhões de pacotes no país em junho, crescimento de 116% em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações movimentaram R$ 2,6 bilhões. Para a entidade, a isenção aprofunda a competição desigual entre as plataformas estrangeiras e a indústria nacional. A CNI e associações como a Abit sustentam posição semelhante.

A contradição atinge empresários próximos ao pré-candidato. Flávio Rocha, controlador da Riachuelo e um dos apoiadores da aproximação de Bolsonaro com o setor produtivo, afirma que a alíquota zero ameaça a competitividade do varejo e da indústria brasileiros.

O problema também chegou ao palanque de Minas Gerais. Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, filiado ao PL e pré-candidato ao governo mineiro com o apoio de Bolsonaro, é um dos críticos mais duros da isenção. Roscoe já classificou a medida como populista e chegou a chamá-la de “crime de lesa-pátria”. Em junho, ele recebeu o presidenciável em um jantar com cerca de 60 empresários.

Na ala política, porém, o discurso é o oposto. O senador Hamilton Mourão, do Republicanos — partido cortejado pela campanha de Bolsonaro — chamou Dario Durigan de “dublê de ministro” depois que o titular da Fazenda admitiu que a cobrança poderá voltar caso as importações continuem crescendo de maneira desproporcional.

Flávio Bolsonaro havia mobilizado a oposição para derrubar a taxa e argumenta que a indústria deve ser compensada pela redução dos tributos cobrados no Brasil, e não pela tributação das compras internacionais. A disparada das encomendas, entretanto, obrigará o pré-candidato a escolher entre preservar uma bandeira de apelo eleitoral ou atender a uma reivindicação central da indústria que tenta atrair para sua campanha.

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