
Após análise de cérebros de golfinhos, pesquisa revela a possibilidade dos animais marítimos terem Alzheimer. Segundo um estudo publicado no Neuroscience Bulletin – o periódico oficial da Sociedade Chinesa de Neurociência –, as lesões cerebrais achadas nesses mamíferos são comparáveis àquelas causadas pela doença nos humanos.
A Doença do Alzheimer (DA) “é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória”, de acordo com o Ministério da Saúde. A priori, tratava-se de uma patologia da nossa espécie, mas a nova pesquisa identificou alterações neuropatológicas semelhantes à doença nos odontocetos – subgrupo dos cetáceos conhecidos pelos golfinhos e orcas.
As semelhanças
A DA combina duas lesões: o acúmulo de placas de beta-amilóide – uma proteína – e o desenvolvimento de emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada. Essas condições aceleram a perda de neurônios. Até então, ainda não haviam encontrado nenhum animal que reproduzisse essa combinação, porém o estudo sobre os golfinhos mudou o senso comum.
Em seus cérebros foram encontrados acúmulos de beta-amilóide em forma de placas e alterações da proteína tau hiperfosforilada que aparentam aos emaranhados neurofibrilares nos humanos. Além disso, os pesquisadores detectaram em alguns golfinhos um depósito anormal de TDP-43, outra proteína cujo mau funcionamento gera doenças neurodegenerativas em humanos.
Vida parecida e condições do ambiente
Diferente da maioria dos animais e semelhante a nós, os golfinhos apresentam uma fase pós-reprodutiva prolongada e vivem bastante tempo. Isso implica em uma exposição por mais tempo ao estresse metabólico e ambiental, gerando maior risco de Alzheimer.
Vidas longas aumentam a vulnerabilidade cerebral e o acúmulo de substâncias nocivas ao corpo. Um exemplo do segundo problema é a neurotoxina chamada BMAA (beta-metilamino-L-alanina), associada a doenças neurodegenerativas em humanos. Esse elemento vem se multiplicando nas algas devido às mudanças climáticas. Os golfinhos, ao se alimentarem dessas plantas, se contaminam e tem seus neurônios danificados.
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