Flávio Bolsonaro mordeu a isca e caiu na provocação da madrasta



Na ânsia de estancar a sangria provocada pela cizânia pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro fez um encontro com mulheres de direita na última quarta-feira, 1º, para colher contribuições ao seu programa de governo. Boicotada por algumas das mais importantes parlamentares da direita, a reunião foi um fiasco.

De microfone em punho, o presidenciável do PL afirmou repudiar veementemente as grosseiras falas do influenciador Paulo Figueiredo sobre mulheres que “votarem mal para c…”. Em vídeos editados por sua assessoria de imprensa, o principal pré-candidato da direita aparece dizendo ter convicção de que ele e a madrasta vão superar “mais este momento difícil” para que ela passe a trabalhar a favor de sua postulação ao Palácio do Planalto.

Pelas mãos da vereadora de São Bernardo do Campo (SP) Marina Braga (PL), que estava no encontro, acabou vindo à tona a continuação do discurso, omitida pela assessoria da campanha, em que o senador abandona a cautela e cai numa provocação feita pela ex-primeira-dama. 

Na última segunda-feira, Michelle havia republicado um vídeo em que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho descreve o suposto teor da gravação de uma festa do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro em que estariam presentes senadores, deputados e governadores que “defendem a família”, todos nus, interagindo com mulheres vestidas apenas com capacetes de astronauta. Ela escreveu na publicação que “a verdade de Jesus Cristo prevalecerá”. E só. Nem Garotinho nem Michelle citaram nomes de políticos.

Ao lado de sua esposa Fernanda no evento com mulheres de direita em Brasília, o Zero Um desatou a falar do post da madrasta — que, àquela altura, por se tratar de um story no Instagram (publicação que dura apenas 24 horas), já havia até sumido do perfil dela na plataforma. “Já reconheci uma vez e estou reconhecendo aqui de novo o trabalho (de Michelle no PL Mulher). Mas o que ela fez… Eu acho que é algo que ou ela tá sendo induzida ou.. Não dá para entender muito bem. Quando ela pega um vídeo do Garotinho – quem é do Rio de Janeiro conhece aí o Garotinho – bota na rede social dela, insinuando que eu possa estar numa festa de Vorcaro, ela está completamente desinformada”, disparou o presidenciável.

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Ele foi além: “Quero garantir a todas vocês aqui que a única relação que eu tenho com Vorcaro é sobre o filme do meu pai”, afirmou, referindo-se às trocas de mensagens com o ex-banqueiro em que ele cobra milhões de dólares para a cinebiografia “Dark Horse”. “Vocês não vão ver eu em festinha do Vorcaro, vocês não vão ver eu em agremiação do uísque do Vorcaro, vocês não vão ver eu viajando para Londres, para os Estados Unidos, para Paris, para tudo quanto é lugar… Nunca entrei em avião do Vorcaro. E eu nunca estive em festinha de astronauta do Vorcaro.”

Michelle jamais fez essas acusações contra o enteado. Ela apenas respostou um vídeo de Garotinho. A isca atraiu o peixe. A maior preocupação do QG eleitoral do pré-candidato do PL no momento é com o efeito adverso das manifestações da ex-primeira-dama nas pesquisas, principalmente nos dois segmentos em que ela mais tem influência: mulheres e evangélicos.

No cenário estimulado de primeiro turno do último levantamento BTG/Nexus, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Considerando-se apenas o eleitorado feminino, a diferença aumenta para 48% a 29%. Entre evangélicos, o balanço de forças se inverte, e o candidato do PL supera o petista por 48% a 25%.

Na simulação de segundo turno, o atual presidente aparece numericamente à frente, por 47% a 44%, em empate técnico. Entre as mulheres, Lula leva vantagem muito maior, de 55% a 36%. Já na segmentação por religião, eleitores que se declararam evangélicos dão grande margem favorável a Flávio Bolsonaro, num placar de 60% a 32%.

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