
A Rússia disparou um enxame de mísseis e drones nesta segunda-feira, 6, contra prédios residenciais em Kiev, o segundo ataque massivo contra a capital ucraniana em menos de uma semana. A ofensiva deixou pelo menos 14 mortos um dia antes do início de uma importante cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental que o russo Vladimir Putin enxerga como uma ameaça existencial.
O ataque desta segunda-feira abriu uma cratera em um edifício residencial de vários andares na capital ucraniana, destruindo os pisos superiores. Além das vítimas fatais, 60 pessoas ficaram feridas e as autoridades de Vyshneve, um subúrbio de Kiev, ordenaram que moradores deixassem a área devido à possível presença de munições não detonadas entre os escombros.
Durante a noite, segundo a agência de notícias AFP, houve mais de 10 explosões durante um alerta na cidade, durante o qual foram lançados 351 drones e 68 mísseis balísticos. Esse tipo de armamento, aliás, é mais difícil de interceptar, o que levou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a renovar seu apelo para que países aliados usem a cúpula da Otan para adotar “decisões firmes” que aumentem o fornecimento de sistemas de defesa aérea ao seu país.
Dias antes, outro bombardeio russo matou mais de 30 pessoas em Kiev, e o líder ucraniano já havia pedido mais projéteis avançados para os poderosos sistemas de defesa aérea Patriot, de fabricação americana. Esse ponto deve ser a principal agenda da conversa entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está prevista para ocorrer às margens da cúpula que começa na terça-feira, 7, na cidade turca de Ancara.
“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, declarou Zelensky nas redes sociais.
Chuva de bombas
Os habitantes do distrito de Podilski, zona norte da capital, viveram momentos de angústia.
“Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes”, contou à AFP Oleksandr Bakhlukov, que mora em um prédio próximo. “Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”, acrescentou o homem de 68 anos.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou um “ataque em larga escala” com mísseis e drones contra o que descreveu como “empresas do complexo militar-industrial” e contra instalações de energia em várias regiões ucranianas. Quase 30 edifícios residenciais em Kiev foram atingidos e as equipes de resgate continuavam removendo os escombros várias horas depois do ataque, informaram as autoridades.
Zelensky afirmou que o Exército ucraniano derrubou os drones e mísseis de cruzeiro russos, mas que dispõe de “um fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para deter os mísseis balísticos. Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ataque demonstra que a Ucrânia precisa “com urgência” de mais defesa aérea e que a questão será abordada na reunião da Otan.
Apagão na Crimeia
O Exército russo, em paralelo, afirmou que suas forças também derrubaram mais de 500 drones ucranianos durante a noite. A Ucrânia vem intensificando ataques aéreos contra o inimigo nas últimas semanas.
Na Crimeia, o governador da península anexada por Moscou, Mikhail Razvozhayev, anunciou no Telegram que, “após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol”, a cidade ficou sem eletricidade.
O presidente Trump deve se encontrar com Zelensky na terça-feira em Ancara. “Obviamente vai se reunir com ele para conversar sobre como acabar com a guerra”, declarou um funcionário de alto escalão do governo americano que pediu anonimato. O ocupante do Salão Oval também tem em sua agenda uma conversa por telefone com Putin, para tentar reativar os esforços de paz no Leste Europeu.
A Rússia lança com frequência ondas de mísseis e drones contra as cidades ucranianas desde o início da invasão do país vizinho, em fevereiro de 2022. O conflito na Ucrânia já se tornou o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
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