Chanceler argentino diz que não há chance de rompimento com Brasil e cita futebol



O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não existe possibilidade de ruptura diplomática com o Brasil, mesmo após a crise provocada por ataques de Javier Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante convenção de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência.

Quirno afirmou que o governo argentino não pretende levar o conflito ao plano institucional e econômico e que as desavenças se restringem ao campo político e ideológico. Apesar disso, aproveitou para levantar mais uma vez a teoria de que a onda de crítica à seleção argentina de futebol na Copa do Mundo 2026 foi patrocinada a partir do Brasil. “Não tenho provas de que tenham pago por isso”, admitiu, no entanto, o chanceler.

Em entrevista à Rádio Mitre, durante visita ao Peru, Quirno declarou: “Não há nenhuma chance de que, da nossa parte, as relações sejam rompidas”, e acrescentou que a Argentina espera o retorno do embaixador ao país “o antes possível”.

A escalada do mal-estar ocorreu após a participação de Milei no evento de Flávio Bolsonaro, realizado no sábado passado, em São Paulo, em que o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, além de chamar o ministro Alexandre de Moraes “lixo careca”. O episódio levou a gestos diplomáticos de ambos os lados, com consultas aos embaixadores em Buenos Aires e Brasília.

Quirno também afirmou que a Argentina não responderá às declarações de Lula nem às de integrantes do governo brasileiro, e atribuiu o momento de tensão ao ambiente eleitoral nos dois países. Na prática, a mensagem do chanceler foi de que a crise é real, mas não deve transbordar para o rompimento formal.

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Brasil e Argentina são as duas maiores economias da América do Sul e sustentam uma parcela relevante do comércio regional. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países somou 31 bilhões de dólares, e a Argentina ficou como o terceiro principal destino das exportações brasileiras e a quarta maior origem das importações do Brasil.

Os governos de ambos os países sabem que um rompimento formal colocaria em risco essa conexão econômica.

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