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O Ibovespa operava em queda nesta quarta-feira, 3, aos 171 283 pontos, refletindo a cautela dos investidores diante de um cenário internacional mais desafiador. As atenções se voltavam para a reunião ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para a divulgação de uma proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que prevê tarifas de 25% sobre uma série de exportações brasileiras.
Além disso, o governo do presidente Donald Trump propôs a aplicação de tarifas adicionais entre 10% e 12,5% sobre importações de cerca de 60 países, incluindo o Brasil. A justificativa apresentada é a suposta falha dessas economias em combater o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado, o que, segundo Washington, cria barreiras injustas ao comércio americano.
Na Bolsa brasileira, as ações dos grandes bancos figuravam entre as principais quedas do índice. O Bradesco (BBDC4) liderava as perdas, com recuo de 1,63%, seguido pelo Santander (SANB11), que caía 1,28%. O Itaú Unibanco (ITUB4) registrava baixa de 1,16%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) recuava 1,06%.
Mercado monitora tarifas e emprego nos EUA
Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, os investidores mantêm postura cautelosa, mas sem movimentos mais intensos nos mercados globais. Segundo ele, as bolsas americanas operavam próximas da estabilidade mesmo após as notícias envolvendo novas tarifas comerciais dos Estados Unidos. O foco segue concentrado na evolução das negociações entre Washington e Teerã e nos indicadores econômicos americanos. “O mercado não repercutiu de forma significativa as novas tarifas e continua atento aos desdobramentos do Oriente Médio e às negociações entre Estados Unidos e Irã”, afirma.
Yamashita destaca ainda que o mercado começou a voltar suas atenções para os dados de emprego nos Estados Unidos. O relatório da ADP, divulgado nesta quarta-feira, mostrou a criação de 122 mil vagas no setor privado em maio, acima das expectativas dos analistas. “O dado reforça a resiliência da economia americana e dá mais espaço para que o Federal Reserve mantenha cautela na condução da política monetária”, explica.
O especialista ressalta que os investidores também aguardam a divulgação do payroll, principal relatório de emprego dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira. O indicador pode influenciar as expectativas para os próximos passos dos juros americanos.
No mercado de câmbio, o dólar avançava levemente frente ao real, negociado próximo de 5,02 reais. De acordo com Yamashita, a moeda deve continuar sensível tanto às questões geopolíticas quanto aos indicadores econômicos que influenciam as projeções para juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Petróleo sobe e conflito volta ao radar
No exterior, os preços do petróleo avançavam pelo terceiro pregão consecutivo, enquanto os mercados acionários demonstravam maior cautela. O movimento ocorre após o agravamento das tensões no Golfo Pérsico.
As preocupações aumentaram depois que um ataque com mísseis iranianos atingiu o aeroporto do Kuwait. Em resposta, forças americanas realizaram ações militares próximas ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
O episódio elevou as dúvidas sobre a sustentabilidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, mantendo os investidores atentos aos possíveis impactos sobre a oferta global de energia e o comportamento dos mercados nos próximos dias.
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