
A nova pesquisa Datafolha divulgada no sábado 20 apresentou um retrato distinto daquele observado nos principais levantamentos nacionais das últimas semanas. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue liderando a disputa presidencial de 2026, o instituto registrou estabilidade nos cenários de primeiro e segundo turno, interrompendo a sequência de pesquisas que apontavam ampliação da vantagem do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Trata-se, portanto, de um alerta para o petista a pouco mais de três meses para o primeiro turno.
No principal cenário de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Os percentuais são exatamente os mesmos registrados pelo Datafolha em maio, indicando manutenção do quadro eleitoral dentro da margem de erro.
Como está a disputa no segundo turno?
Os números mostram que a polarização entre Lula e Flávio permanece como eixo central da corrida presidencial. Apesar da liderança do presidente, o levantamento não identificou crescimento adicional da vantagem petista em relação ao principal adversário.
O resultado contrasta com pesquisas divulgadas ao longo de junho. Levantamentos da Quaest, da BTG/Nexus e da CNT/MDA registraram aumento da distância entre os dois candidatos, especialmente nos cenários de segundo turno. O Datafolha, porém, sugere uma estabilização desse movimento na reta final do primeiro semestre eleitoral.
O que revela o cenário de primeiro turno?
Na simulação estimulada de primeiro turno, Lula registra 41% das intenções de voto, um ponto percentual acima da rodada anterior. A variação, no entanto, está dentro da margem de erro do levantamento.
Flávio Bolsonaro aparece com 31%, consolidando-se como principal representante do campo oposicionista e mantendo ampla vantagem sobre os demais pré-candidatos.
Atrás dos dois líderes surgem Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%. Aécio Neves (PSDB), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins alcançam 2% cada. Joaquim Barbosa (DC), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1%.
Os números reforçam um padrão observado desde o início do ano: embora haja oscilações entre os dois principais postulantes ao Planalto, nenhum nome da chamada terceira via conseguiu se aproximar do núcleo central da disputa.
O caso Banco Master ainda produz efeitos eleitorais?
A estabilidade registrada pelo Datafolha ocorre após semanas marcadas pela repercussão do caso Dark Horse, que revelou a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Pesquisas divulgadas logo após a divulgação dos áudios envolvendo o senador apontaram crescimento da vantagem de Lula e desgaste para o parlamentar. O novo levantamento, contudo, não registrou nova queda relevante de Flávio nem ampliação da dianteira do presidente.
O cenário sugere que os efeitos iniciais do episódio podem já ter sido absorvidos pelo eleitorado captado pelos institutos de pesquisa.
A operação contra Jaques Wagner teve impacto?
O levantamento também coincidiu com outro fato de potencial repercussão política: a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, no âmbito de uma investigação relacionada ao Banco Master.
A pesquisa, porém, começou a ser realizada antes da divulgação do caso. Como parte significativa das entrevistas foi feita sem que os eleitores tivessem conhecimento da operação, o Datafolha não permite medir de forma conclusiva eventuais reflexos políticos do episódio.
Por essa razão, os próximos levantamentos nacionais serão observados com atenção para identificar se haverá algum impacto sobre a imagem do governo ou sobre a disputa presidencial.
Como está a rejeição dos candidatos?
O Datafolha mostra que Lula e Flávio continuam enfrentando índices elevados de rejeição. O presidente registra 46%, enquanto o senador aparece com 48%.
Os números indicam que ambos chegam à fase decisiva da pré-campanha com dificuldades para ampliar suas bases eleitorais além dos apoiadores mais fiéis. Ao mesmo tempo, reforçam o caráter polarizado da disputa, marcada por forte resistência dos eleitores aos dois principais candidatos.
Existe espaço para uma terceira via?
Os dados do levantamento sugerem que o espaço continua restrito. Mesmo após episódios de desgaste envolvendo os dois polos da disputa, os demais pré-candidatos permanecem em patamares de um dígito e sem sinais de crescimento consistente.
A dificuldade de nomes como Caiado, Zema, Joaquim Barbosa e outros em converter visibilidade em intenção de voto ajuda a explicar por que Lula e Flávio seguem concentrando a maior parte das preferências eleitorais.
O que o Datafolha indica para os próximos meses?
A principal conclusão do levantamento é que a disputa permanece polarizada e relativamente estável. Lula continua liderando os cenários de primeiro e segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro se mantém como o principal adversário do presidente e o único nome da direita capaz de disputar diretamente a liderança.
Se as pesquisas anteriores apontaram uma ampliação da vantagem do petista, o Datafolha sugere uma desaceleração desse movimento. As próximas rodadas dos institutos nacionais serão decisivas para mostrar se a estabilidade observada agora representa apenas uma pausa momentânea ou o início de uma nova fase da corrida presidencial.
VEJA+IA: Este conteúdo de pesquisas foi produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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