O pré-candidato que mais vai sentir o efeito das tarifas de Trump, segundo economistas



As medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil começam a produzir efeitos que vão além da economia e chegam diretamente ao ambiente político. A ameaça de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o questionamento ao Pix e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas passaram a alimentar narrativas que influenciam a disputa eleitoral de 2026. Na prática, as decisões criam riscos econômicos para o país, mas também abrem espaço para diferentes estratégias de comunicação dos grupos políticos.

Tarifas x Lula x terrorismo x Flávio

Para o governo Lula, o principal desafio está nos potenciais impactos econômicos. A eventual aplicação das tarifas pode reduzir exportações e afetar setores produtivos, enquanto a classificação das facções criminosas pode aumentar custos de conformidade para bancos e instituições financeiras que operam internacionalmente. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou que esse cenário pode resultar em “mais taxa bancária, tarifa bancária, mais custos que acabam sendo repassados para o tomador final”, elevando despesas para empresas e consumidores.

A tal da soberania

Ao mesmo tempo, integrantes do governo enxergam uma oportunidade política na crise. A estratégia tem sido reforçar o discurso de defesa da soberania nacional diante do que classificam como pressão externa. Segundo o economista Roberto Dumas, professor do Insper, essa narrativa tende a beneficiar o Palácio do Planalto. “A narrativa que o Lula está usando é que estão prejudicando a soberania nacional. Eu acho que você usar essa retórica ou essa narrativa de soberania nacional ajuda muito o governo Lula”, afirmou. Na mesma linha, Durigan criticou o tom das cobranças americanas. “O que nós não podemos admitir é faca no pescoço, é pressão indevida, intimidação”, declarou.

O efeito Trump sobre a família Bolsonaro

Do outro lado, o desgaste político recai principalmente sobre o campo bolsonarista por causa da proximidade histórica da família Bolsonaro com Donald Trump. O anúncio da tarifa de 25% ocorreu pouco depois de agendas de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, circunstância que já vem sendo explorada por adversários políticos. A avaliação é que o timing da medida dificulta a separação entre a atuação dos parlamentares e as decisões adotadas pelo governo americano.

Visita de Flávio à Casa Branca

Roberto Dumas avalia que esse contexto cria uma situação desconfortável para os aliados de Trump no Brasil. “No caso dos 25% que calhou justamente com a visita do Flávio Bolsonaro, isso ganha o governo Lula. Porque você colocou 25% justamente no momento em que o Flávio Bolsonaro está visitando Trump”, afirmou. Segundo ele, a tendência é que o PT utilize esse episódio para sustentar o argumento de que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro mantêm proximidade com um governo que estaria impondo prejuízos ao Brasil.

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A briga é pela narrativa do PIX x crime x tarifas

A situação se repete no debate sobre o Pix, sistema que se tornou amplamente popular entre os brasileiros. Enquanto o governo e seus apoiadores reforçam o discurso de proteção de uma ferramenta considerada um patrimônio nacional, o campo bolsonarista enfrenta o desafio de criticar ou relativizar ataques vindos de um aliado político. Flávio Bolsonaro tem procurado deslocar a discussão para os efeitos da classificação das facções criminosas como organizações terroristas, argumentando que o governo estaria exagerando riscos para criar temor na população. Ainda assim, a combinação entre tarifas, questionamentos ao Pix e possíveis impactos financeiros transforma as medidas americanas em um tema com potencial de repercussão tanto econômica quanto eleitoral nos próximos meses.

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