
Pode um partida de futebol definir uma candidatura presidencial? Faltam ainda dez meses para a eleição do substituto de Emmanuel Macron, mas os números vão ficando cada vez mais sólidos para o lado de Jordan Bardella. Em apenas um mês, ao longo de maio, a popularidade dele aumentou seis pontos, batendo em 47%, um recorde que ainda tem espaço para aumentar.
Os especialistas creditam o salto à cólera da maioria da população diante dos atos de violência praticados depois da triunfo do PSG no campeonato Champions League, na semana passada. O quebra-quebra, uma lamentável tradição em cidades francesas, é praticado por jovens vindos da periferia onde é grande a população de origem estrangeira, na maioria proveniente de países do Norte da África.
O partido de Bardella foi criado por Jean-Marie Le Pen basicamente para defender a linha dura com a emigração em massa que mudou o perfil da França. Cada vez que a violência se repete, mais votos Bardella ganha.
Com apenas 30 anos, ótimo de palanque e de entrevistas na televisão – onde sabe que todos os entrevistadores tentarão destruí-lo -, ele teve sua potencial candidatura antecipada. Sua mentora, Marine Le Pen, está inelegível por causa de uma condenação por desvio de verbas do Parlamento Europeu para uso partidário.
Ainda há recursos, mas Bardella vai ganhando cada vez mais o ar de candidato inevitável – inclusive por não carregar a bagagem pesada do sobrenome Le Pen e suas origens fascitóides.
EMBALAGEM DE MODERNIDADE
Tradicionalmente, todos os partidos no espectro que vai do centro à esquerda se unem para impedir a triunfo de um candidato da direita nacionalista, mas Bardella pode ser o nome que interrompe esse movimento, principalmente se acontecer outro fato sem precedentes e o adversário for um nome da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, do partido França Insubmissa.
É completamente impossível que partidos de centro-direita apoiem Mélenchon, um radical que provoca ojeriza em setores que não sejam simpáticos a suas ideias extremistas.
Bardella, ao contrário, foi se tornando um candidato mais palatável, com uma embalagem de modernidade, um discurso articulado e um batalhão de fãs que o seguem, gritando “Jordaaaaan”. Para reforçar a imagem de galã, ele está namorando uma princesa de verdade, Maria Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, a linda e loira herdeira de um trono inexistente, mas cheio de história, do reino que englobava a Itália do meio para baixo, antes da unificação do país.
Ao contrário do Brasil, onde a idade mínima para uma candidatura presidencial é 35 anos, não existe limite na França. Ele procura passar uma imagem de maturidade para compensar a juventude. Fala muito das dificuldades da “França profunda”, o interior do país castigado pelos grandes movimentos econômicos.
Segundo as pesquisas mais recentes, tem 32% das preferências na eleição presidencial. O centrista Edouard Phillipe está com 17%, seguido de perto por Mélenchon, com 16%.
Somadas as diferentes correntes, ainda não daria para Bardella ganhar. Mas mais alguns quebra-quebras, como inevitavelmente acontecerão, – e o jogos da Copa do Mundo estão chegando – e Bardella (pronunciado à francesa, Jordã Bardelá) vai se descolar mais ainda.
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