
Poucos desdobramentos recentes na política dividiram tanto a opinião dos brasileiros quanto a nova política dos EUA que classifica o PCC e o CV como organizações terroristas. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira, 4, indica que a percepção sobre o tema no Brasil é altamente politizada e causa forte discordância envolvendo a eficiência da medida e os riscos à soberania nacional.
Por margem apertada, predomina entre o eleitorado brasileiro o apoio à decisão: 53,1% dos brasileiros aprovam e 44,7% reprovam a nova classificação quanto às facções. O grupo favorável abrange quase a totalidade (98,6%) dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, ao passo que 89,9% dos que optaram por Lula se dizem contrários à medida.
As expectativas sobre as consequências da nova política são profundamente divisivas. Enquanto 47,7% dos entrevistados veem a decisão da Casa Branca como uma manobra que aumenta o risco de intervenção estrangeira no Brasil, outros 44,7% defendem que a mudança de postura é um avanço necessário no combate ao crime organizado.
Quando a pauta é soberania nacional, a divergência de visões é ainda mais acirrada: 49,7% dos eleitores discordam e 49,4% concordam que o anúncio dos EUA seria uma agressão direta à soberania brasileira. A tese de ataque à autonomia do Brasil é descartada por 95,8% de quem votou em Bolsonaro e defendida por 93,4% dos eleitores de Lula na última eleição presidencial.
Apesar do apoio à decisão, há pouco ânimo sobre os efeitos práticos
A despeito da aprovação majoritária do anúncio americano, a percepção que predomina entre os brasileiros é de que a nova postura dos EUA pouco fará pelo combate ao PCC e ao CV.
Para 29,6% dos entrevistados pela AtlasIntel, a novidade “não terá impacto relevante” no enfrentamento à violência pelas facções. Apenas cerca de um quarto (26,8%) acreditam que o cenário irá “melhorar significativamente”, e 17,2% dizem que a situação da segurança pública no Brasil deve “piorar significativamente”.

Curiosamente, a esmagadora maioria dos brasileiros considera que as operações de inteligência, envolvendo rastreio de lavagem de dinheiro e o sufocamento financeiro das gangues, são as medidas mais eficientes contra as facções do narcotráfico — justamente as ações que são coordenadas pelas polícias investigativas (Civil e Federal), que podem ser as mais prejudicadas pela nova postura dos EUA.
Em contraste, menos de um quarto (24,7%) dos entrevistados vê nas operações policiais ostensivas, comandadas principalmente pela Polícia Militar, o maior avanço contra as facções. Com a nova diretriz americana, porém, a tendência é que as medidas de enfrentamento militarizado sejam ampliadas, em detrimento das ações de inteligência policial.
A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.237 eleitores no Brasil entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. A margem de erro é estimada em 3 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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