
As forças do Irã anunciaram nesta segunda-feira, 8, a suspensão dos ataques a Israel. A pausa nas hostilidades ocorre após as forças israelenses atacarem uma fábrica petroquímica no sudoeste iraniano, alegando que era usada para produzir mísseis balísticos. Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico de Teerã, bombardeou uma instalação similar na cidade de Haifa, em Israel.
“Anuncia-se a suspensão das operações das forças armadas; contudo, ressalta-se que, caso as agressões e os males persistam, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e repressivas serão tomadas”, afirmou a sede central de Khatam ol-Anbiya, que coordena as operações do Estado-Maior do Irã, segundo a agência de notícias Fars.
Mais cedo, o Irã os Estados Unidos pela escalada das tensões com Israel. “Sem dúvida, como eu afirmou, as ações do regime sionista na região não podem ser separadas das políticas dos EUA”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva. “Ninguém acredita que o regime sionista realizaria qualquer ação sem prévia coordenação e cooperação com os Estados Unidos.”
Israel também lançou mísseis contra Teerã, Tabriz e Isfahan, segundo a emissora catari Al Jazeera. Nas redes sociais, os militares israelenses disseram que foram atacados “alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”. Por sua vez, além de Haifa, a Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atingido a base aérea de Ramat David, no Vale de Jezreel, perto de Nazaré.
Em meio à troca de ataques, o presidente dos EUA, Donald Trump, instou os lados do conflito a “parem imediatamente com os ‘tiroteios'”. Em publicação na Truth Social, rede social da qual é dono, o republicano afirmou que Israel e Irã “estão buscando um cessar-fogo imediato”, mas que as negociações de paz podem ser atrapalhadas por “ignorância” ou “estupidez”. Ele também informou que o bloqueio americano, que impede a entrada e saída de navios do Irã, continuará em vigor “até que um acordo final seja alcançado”.
+ A dura resposta de Trump após troca de ataques entre Irã e Israel
Questão do Líbano
O Irã coloca o fim da guerra em todas as frentes na região — o que inclui o Líbano, alvo de uma ofensiva israelense contra o Hezbollah — como uma das principais demandas para um acordo com os Estados Unidos. O posicionamento é criticado pelo primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, que condena o uso do país como uma “moeda de troca” nas tratativas.
“Se me permitem dirigir algumas palavras ao Irã, é o seguinte: tenham misericórdia do nosso sul, parem de tratá-lo e ao seu povo como mera moeda de troca para melhorar os termos das suas negociações”, afirmou Salam na última sexta-feira, 5.
Ainda na sexta, Mohsen Rezaei, um conselheiro do líder supremo iraniano, reiterou que a milícia libanesa é um “aliado” que “fez grandes sacrifícios na guerra recente”, acrescentando: “Apoiamos o Hezbollah e permanecemos firmemente comprometidos com nossas obrigações para com ele”. Enquanto isso, as operações israelense contra o Líbano continuam apesar do cessar-fogo — rejeitado pelo grupo radical.
O Líbano foi arrastado para a guerra que abala o Oriente Médio, virando uma de suas múltiplas frentes, depois de o Hezbollah abrir fogo contra Israel em 2 de março numa retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Durante o fim de semana, Israel atacou supostos redutos do Hezbollah em Beirute, dias após Trump afirmar que uma ofensiva contra a capital libanesa estava fora de cogitação.
Pelos termos do cessar-fogo, Israel preservou o direito de agir contra ataques classificados como “planejados, iminentes ou em andamento”. O governo israelense acusa a milícia Hezbollah de descumprir o pacto repetidamente ao manter atividade militar próxima à fronteira. Do outro lado, autoridades libanesas afirmam que Tel Aviv tem usado a cláusula como justificativa para uma campanha previamente calculada.
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