
Os preços do petróleo desabam nesta segunda-feira, 25, após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmar que há avanços nas negociações com os Estados Unidos para acabar com a guerra de maneira duradoura. No entanto, ele frisou que o acordo não é iminente.
Por volta das 7h38min, os preços do Petróleo Brent recuavam 5,6%, aos 94,59 dólares por barril. Em sua entrevista coletiva semanal, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores declarou ser verdadeira a afirmação de que Irã e Estados Unidos chegaram a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão. “Mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, acrescentou.
O governo do Irã também afirmou que começará a cobrar taxas por “serviços de navegação” dos navios que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz.
“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, exigem a cobrança de certas taxas”, declarou Baqaei. Ele acrescentou, no entanto, que o Irã “não busca cobrar pedágios”.
Do lado americano, o tom é de cautela. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, moderou neste domingo, 24, as expectativas de um acordo iminente com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, apesar de ambos os lados relatarem um progresso nas negociações.
“Instruí meus representantes a não se precipitarem, porque o tempo está a nosso favor”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social. Trump também afirmou que o bloqueio aos portos iranianos “permanecerá em pleno vigor” até que um acordo final seja assinado com Teerã.
Um funcionário do alto escalão americano afirmou ao veículo Axios que um anúncio poderia levar dias, já que envolve a aprovação de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, Mojtaba Khamenei. “Se eu fechar um acordo com o Irã, será um bom acordo, sério, não como o que Barack Obama assinou”, afirmou Trump no domingo, referindo-se ao acordo nuclear de 2015 negociado pelo ex-presidente democrata.
Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou em Nova Délhi que havia a possibilidade de o mundo receber “boas notícias” nas próximas horas. Rubio afirmou que o acordo abordaria as preocupações de Washington em relação ao Estreito de Ormuz, quase totalmente bloqueado pelo Irã em resposta ao ataque de 28 de fevereiro realizado por Israel e pelos Estados Unidos, que desencadeou a guerra.
O controle dessa passagem crucial para o comércio global de hidrocarbonetos tem sido um dos principais obstáculos no diálogo mediado pelo Paquistão desde o início da trégua entre Teerã e Washington, em 8 de abril.
A emissora CBS News, que citou fontes com conhecimento das conversas, afirmou que a proposta em discussão inclui o desbloqueio de alguns ativos iranianos em bancos no exterior e a prorrogação das negociações por 30 dias, prazo que também foi mencionado pelo The Wall Street Journal.
Por outro lado, a agência iraniana Tasnim informou que, apesar das conversas, os Estados Unidos continuavam bloqueando alguns pontos, e citou a questão dos bens iranianos congelados.
Questão nuclear trava acordo
A questão do programa nuclear iraniano, contudo, seria abordada em negociações posteriores, segundo a mídia americana, o próprio Rubio e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Este último afirmou que estavam finalizando um memorando de entendimento com Washington, embora isso não implicasse “um acordo sobre as principais questões”. A questão nuclear, por exemplo, não faz parte “desta etapa” das negociações, assegurou.
Os Estados Unidos e Israel acreditam que o objetivo deste programa é desenvolver armas nucleares, embora Teerã afirme que tem apenas fins civis.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou neste domingo que ele e Trump concordam que um acordo final com o Irã deve eliminar “a ameaça nuclear”. “Isso implica desmantelar as instalações de enriquecimento de urânio do Irã e retirar o material nuclear enriquecido de seu território”, declarou Netanyahu em um comunicado, relatando o conteúdo de uma conversa telefônica entre ambos os dirigentes na noite de sábado.
Marco Rubio declarou hoje ao jornal The New York Times que o acordo com o Irã havia recebido o apoio da região, mas que não era possível alcançar um compromisso nuclear “em 72 horas”. Antes, Donald Trump havia pedido aos seus negociadores que não tivessem “pressa em fechar um acordo” com o Irã para pôr fim à guerra, que já dura quase três meses.
“Não vamos nos precipitar. As negociações nucleares são assuntos muito técnicos. Não se pode resolver um assunto nuclear em 72 horas no verso de um guardanapo”, declarou Rubio ao jornal. “Então, neste momento, contamos com o respaldo de sete ou oito países da região que apoiam esta abordagem, e estamos dispostos a seguir adiante com ela”, afirmou.
(Com informações da AFP)
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