Lula, governo e PT debatem vingança por derrotas no Congresso



Lula, governo e Partido dos Trabalhadores debatem como deveria ser a vingança pela dupla revés legislativa da semana passada — a recusa do Senado à indicação de Lula para vaga de juiz no Supremo Tribunal Federal e a derrubada no Congresso do veto presidencial à lei de redução de penas para condenados por crimes contra o regime democrático.

Liquidou-se a “aliança da governabilidade” com o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), observou Gleisi Hoffmann, ex-ministra de Relações Institucionais. “O que não pode é a gente ir para uma disputa eleitoral com o inimigo dentro de casa, isso não pode acontecer”, afirmou à Globonews nesta segunda-feira (4/5).

A desconfiança extravasou nas reuniões de dirigentes petistas. A presidência do PT classificou de “grave erro” a decisão do Senado (por 42 votos a 34) de vetar a indicação do advogado-geral da União Jorge Messias ao STF. Na sua avaliação, provocou-se uma “instabilidade institucional”.

Líder de uma fração da esquerda abrigada no PT, Valter Pomar levou a discussão às redes sociais: “A pergunta que não quer calar é: vai parar por aí? Se a resposta a essa pergunta for ‘não, vai é piorar’, cabe também perguntar: (o senador Rodrigo) Pacheco, candidato que o PT de Minas Gerais está apoiando para governador, é confiável como aliado?”

Acrescentou: “Ou vamos deixar para descobrir, no meio da campanha eleitoral, que nos iludimos com Pacheco, com [o ex-prefeito carioca e candidato a governador do Rio Eduardo] Paes, com outros e com tudo, tanto quanto nos iludimos agora acerca de qual seria o resultado de Messias?”

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Pacheco era o preferido de um grupo de senadores, liderado por Davi Alcolumbre, para a vaga aberta no STF. Lula optou por Messias e, aparentemente, convenceu Pacheco a se candidatar ao governo de Minas. Mas o PT mineiro hesita em apoiá-lo, apesar da recomendação de Lula.

Evidência do rancor do governo e do partido com a revés foi a retomada da campanha de críticas públicas ao Congresso nas redes sociais, na semana passada. Pomar, que integra a direção nacional do PT, escreveu: “A maioria (dos parlamentares) é inimiga do povo. Cabe dizer isso ao povo, com todas as letras. E tratar os inimigos do povo como eles merecem. A começar pelos cargos controlados por Davi Alcolumbre, Arthur Lira et caterva.”

No governo, os lamentos de Lula têm estimulado a ideia de “reação” ao Congresso. Os riscos são reconhecidos, mas argumenta-se que a consequência da inércia seria a exposição de Lula em momento de fraqueza, no fim de mandato e numa etapa relevante da campanha pela reeleição. Não há consenso no Palácio do Planalto.

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Ele já esteve em situação similar. Foi no segundo mandato, em dezembro de 2007, quando tentou manter a cobrança do “imposto do cheque”, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Lula mobilizou o governo por uma receita extra considerável, hoje equivalente a 130 bilhões de reais. Venceu na Câmara, foi derrotado pela oposição no Senado (precisava de 49 votos a favor, só conseguiu 45).

Na eleição seguinte, Lula foi às ruas para ajudar a eleger a sucessora, Dilma Rousseff, e executar uma vingança política: impedir a eleição dos líderes do consórcio oposicionista (PSDB e DEM). Conseguiu. E, assim, abriu uma vereda para ascensão de parlamentares do baixo clero em áreas-chave do Congresso.

Nesse grupo se destacariam, entre outros, Eduardo Cunha (PMDB), que se elegeu presidente da Câmara e liderou o impeachment de Dilma (2016), e Jair Bolsonaro, eleito presidente (2018), enquanto Lula estava na cadeia, condenado por corrupção.

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