Empresa australiana anuncia início de estudos para etapa de refino de terras raras em Poços de Caldas, MG

Empresa australiana anuncia estudos para fase de refino de terras raras em Poços de Caldas Mais um processo envolvendo terras raras deve ser realizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas: a etapa de refino. O anúncio foi feito pela Meteoric, empresa que tem o projeto mais avançado na região e que já opera uma planta-piloto responsável pela produção de carbonatos de terras raras. 📲 Siga o g1 Sul de Minas no Instagram Atualmente, a empresa já produz, em escala experimental, os chamados carbonatos de terras raras, um pó branco que reúne os 17 elementos químicos desse grupo presentes no Planalto de Poços de Caldas. Agora, a Meteoric anunciou que iniciou estudos para avançar na segunda fase do processo: o refino, que permite a separação individual de cada elemento. Segundo a empresa, quatro desses elementos são considerados estratégicos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são usados principalmente na indústria de alta tecnologia, como na produção de superímãs aplicados em motores elétricos e em tecnologias ligadas à transição energética. Leia também: 'É uma mina no quintal': terras raras a 300 m de casas dividem opinião de moradores no Sul de MG Carbonado de terras raras produzido na planta piloto da mineradora Meteoric, em Poços de Caldas, MG João Daniel Alves/EPTV Em entrevista à EPTV, o diretor de sustentabilidade da Meteoric, Éder Santo, explicou que, hoje, o Brasil ainda não domina a tecnologia necessária para essa etapa do processo. “Hoje, a produção que existe no Brasil é de carbonato de terras raras. Como você bem explicou, esse carbonato contém todos os 17 elementos de terras raras. E, para você poder utilizar esses metais, cada um deles, que tem um uso específico na indústria de tecnologia e na indústria de transição energética, você precisa fazer a separação de cada um deles”, afirmou. De acordo com Éder, a empresa já realiza análises e testes em laboratório para viabilizar essa separação, com foco justamente nos elementos de maior valor no mercado mundial. “O próximo passo que a empresa já está estudando é a separação de óxidos dos elementos de terras raras, dentre eles o disprósio, o térbio, o neodímio e o praseodímio, que são os mais valiosos e aqueles aplicados em tecnologias de alta demanda hoje no mercado mundial”, afirmou. Laboratório de extração de terras raras é inaugurado em Poços de Caldas Meteoric/Divulgação Licenciamento como foco principal Apesar do avanço nos estudos, a empresa destaca que o foco principal, neste momento, segue sendo o licenciamento ambiental do projeto Caldeira, que prevê a extração da argila, minério que contém as terras raras, e a produção do carbonato em escala industrial. “Desde o início do processo de licenciamento do projeto Caldeira, a gente trabalha com muita paciência todos os processos que são exigidos”, explicou Éder. Empresa vai investir mais de US$ 200 milhões para fazer refino de terras raras na região Segundo ele, em março deste ano, a Meteoric protocolou toda a documentação necessária para solicitar a licença de construção do empreendimento. “Nós protocolizamos todos os estudos ambientais e de engenharia necessários para pedir a licença para permissão da construção desse projeto”, afirmou. Meteoric avança com apoio federal e estadual na cadeia de terras raras no Brasil Divulgação A etapa de refino, por enquanto, permanece em fase de pesquisa. A ideia da empresa é seguir o mesmo caminho adotado na produção dos carbonatos. “Assim como foi construída uma planta-piloto, que já produz cerca de 2 quilos de carbonato de terras raras por dia aqui em Poços de Caldas, a gente quer também implantar uma planta-piloto de separação dos óxidos”, afirmou. Segundo o diretor, somente após o domínio da tecnologia e o início da operação da planta principal será iniciado o processo de licenciamento dessa nova estrutura voltada ao refino. “A partir daí, a gente faz todos os testes industriais para dominar essa tecnologia e, futuramente, após o licenciamento e o início da operação do projeto Caldeira, iniciar o licenciamento dessa nova planta para fazer as separações”, concluiu. Amostra de argila com compostos de terras raras retiradas na caldeira vulcânica de Poços de Caldas, MG Viridis/Divulgação LEIA TAMBÉM: Grupo australiano conclui compra de projeto de terras raras no Sul de Minas por R$ 80 milhões Terras raras: Brasil dá passo inédito para produzir ímãs com minério nacional Brasil inaugura 1º laboratório de extração de terras raras MG terá o primeiro centro de reciclagem de ímãs de terras raras do Hemisfério Sul Corrida por terras raras: descoberta de jazida em MG atrai mais de 100 pedidos de mineração Cratera de vulcão em MG pode suprir 20% da demanda global por terras raras, minerais estratégicos cobiçados pelos EUA Disputa global por terras raras Terras raras, assim como outros minérios chamados de críticos, como o lítio, ganhou importância estratégica em todo o mundo por serem cruciais para setores como tecnologia, energia renovável e defesa e virou, inclusive, alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam que o Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global. O país já tem mapeado projetos de terras raras nos estados de Goiás, Minas Gerais, e há jazidas mapeadas na Bahia, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima. O Planalto de Poços de Caldas (MG) tem se consolidado como uma das áreas mais promissoras do Brasil para a exploração de terras raras por ter os minérios em argila na superfície e em alta concentração. Isso permite uma extração sem necessidade de grandes escavações. Com cerca de 800 km², a cratera - também chamada de planalto - de Poços de Caldas, que engloba os municípios mineiros de Poços de Caldas, Andradas, Caldas, além de Águas da Prata em São Paulo, pode gerar 300 milhões de toneladas de terras raras, segundo estimativas. Terras raras: tipos e usos Arte/g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas
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