
A dívida bruta do governo geral atingiu 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, o equivalente a R$ 10,4 trilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Banco Central. O indicador avançou 0,3 ponto porcentual em relação a março, quando estava em 80,0% do PIB.
O aumento ocorreu apesar de o setor público consolidado ter registrado superávit primário de R$ 24,6 bilhões no mês. O resultado ficou acima da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam saldo positivo de R$ 22 bilhões.
De acordo com o Banco Central, a principal pressão sobre a dívida veio dos juros nominais apropriados, que adicionaram 0,9 ponto porcentual ao indicador em abril. A valorização cambial e o crescimento do PIB nominal ajudaram a conter parte desse avanço.
Nos quatro primeiros meses do ano, a dívida bruta acumulou alta de 1,7 ponto porcentual do PIB. Segundo o BC, a incorporação dos juros respondeu por 3,3 pontos desse aumento, enquanto as emissões líquidas de dívida contribuíram com 0,3 ponto. Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal e a valorização do câmbio reduziram parcialmente o indicador.
Superávit melhora, mas déficit acumulado continua
O resultado primário do setor público consolidado — que reúne governo federal, Estados, municípios e estatais — foi positivo em R$ 24,6 bilhões em abril, acima dos R$ 14,1 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
O Governo Central respondeu pela maior parte do resultado, com superávit de R$ 26,1 bilhões. Os governos regionais tiveram saldo positivo de R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,8 bilhão.
Apesar do desempenho positivo em abril, o setor público ainda acumula déficit primário de R$ 126,6 bilhões em 12 meses, equivalente a 0,97% do PIB. O número representa melhora em relação a março, quando o déficit correspondia a 1,06% do PIB.
Gasto com juros ultrapassa R$ 1 trilhão em 12 meses
Os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 84,8 bilhões em abril, acima dos R$ 69,7 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Segundo o Banco Central, a elevação reflete principalmente o aumento da dívida líquida e da inflação medida pelo IPCA no período.
No acumulado de 12 meses até abril, a conta dos juros chegou a R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB. Um ano antes, o valor era de R$ 928,4 bilhões, ou 7,65% do PIB.
Com isso, o resultado nominal do setor público — que inclui o resultado primário e o pagamento de juros — ficou negativo em R$ 60,1 bilhões em abril. Em 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,22 trilhão, equivalente a 9,41% do PIB, percentual estável em relação ao mês anterior.
A dívida líquida do setor público, por sua vez, subiu para 67,4% do PIB, ou R$ 8,8 trilhões, avanço de 0,6 ponto porcentual no mês e de 2,1 pontos porcentuais desde o início do ano.
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