
Países que progridem, populações que melhoram o padrão de vida, coerência entre as propostas e as realizações. Não há nenhuma surpresa no que faz com que um governante tenha índices altos de aprovação, com o indiano Narendra Modi no alto da lista – o surpreendente é que todos não percebam isso, seja por distorções ideológicas, seja por circunstâncias históricas superiores às suas forças.
Vejamos, por exemplo, os três líderes mais impopulares da lista de 24 na pesquisa da Morning Consult. São eles os dirigentes dos três principais países europeus: Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, com 27% de aprovação e 65% de rejeição; o chanceler alemão Friedrich Merz, com 19% contra 76%; e o presidente francês Emmanuel Macron, 18% a 75%. Um de esquerda, um de direita e um de centro.
Obviamente, além de suas atuações e de suas personalidades – o nada inspirador Merz, por exemplo, é o campeão do repúdio em termos pessoais -, existe o fato de que a Europa passa por um momento de crescimento econômico fraco, forte insatisfação com o altíssimo custo de vida e contestação a políticas de abertura a imigrantes. São forças mais poderosas do que a capacidade de intervenção de qualquer político.
Mas muitos poderiam ter dito o mesmo quando Modi assumiu o governo da Índia, há doze anos. Os problemas do país com a maior população do mundo, e degradantes níveis de pobreza, pareciam mais acachapantes do que qualquer projeto. Mas em uma década, o primeiro-ministro campeão em popularidade da pesquisa Morning Consult (70% de aprovação e 24% de rejeição) implantou um vasto leque de políticas, populistas e populares, criando as condições para um aumento de 105% do PIB.
ABSTINÊNCIA SEXUAL
No ano passado, a Índia superou o Japão e atingiu o quarto lugar entre as maiores economias mundiais, com um PIB de 4,18 trilhões de dólares. É possível dizer que a vida de todos os indianos – e eles são 1,4 bilhão de almas – melhorou. Políticas ridicularizadas no exterior, como a construção de 90 milhões de banheiros, foram bem recebidas pelas massas que haviam passado a vida fazendo suas necessidades em valas comuns. Modi construiu banheiros e estabeleceu a conectividade digital com a mesma obsessão por resultados.
Com a política de incentivo à produção mesclada a benefícios sociais voltados a conseguir que “os pobres encontrem em si as condições de sair da pobreza”, Modi transformou a Índia e virou um verdadeiro construtor de nações. Ele é de direita ou de esquerda? Tem algo dos dois – e talvez seu grande lance tenha sido tirar o que de bom os dois lados têm a oferecer. Os que o apresentavam como um fanático do nacionalismo hinduísta e prognosticavam grandes conflitos religiosos com a minoria muçulmana – minoria indiana, de 200 milhões de pessoas – foram amplamente desmentidos pela realidade.
O interessante é que Modi não mudou seu comportamento, implantando uma política de construção e restauração de templos hinduístas – e, na esfera pessoal, continuou a praticar a abstinência sexual por motivos religiosos.
A coerência também é um dos motivos que colocaram o sul-coreano Lee Jae-Myung em segundo lugar na lista, com 63% de aprovação e 30% de rejeição. Ele é de centro-esquerda, um certo alívio para um país onde o último presidente, de direita, tentou dar um golpe atabalhoado e fechar o Congresso (hoje tem tempo para meditar, na cadeia, sobre a insensatez). O principal pilar de sua filosofia de governo é coordenar as promessas com as realizações.
A mesma qualidade é identificada pelas respectivas populações nos três colocados seguintes: o checo Andrej Babis, com 55% a favor e 35% contra; o canadense Mark Carney, com 54% a 36%, e a japonesa Sanae Takaichi, 53% a 35%.
POSIÇÃO MAIS DESCONFORTÁVEL
É possível acreditar qualquer coisa sobre o sexto colocado, Javier Milei, com 48% de aprovação contra 49% de rejeição, menos que não esteja fazendo exatamente o que prometeu quando disputou a presidência da Argentina. A economia saiu da UTI, a inflação foi controlada sem medidas heróicas, embora continue renitente, e o país não mergulhou no caos – por enquanto, nunca se sabe com a Argentina quando as coisas vão degringolar.
O presidente Lula da Silva, em tudo o antípoda de Milei, aparece em décimo lugar, com 40% de aprovação e 55% de desaprovação. Donald Trump está em 15º, com 38% a 57%.
Os números da pesquisa da Morning Consult, feita país por país, nem sempre coincidem exatamente com os levantamentos locais, mas não são muito diferentes. Na média das pesquisas do site RealClear, Trump tem 41,3% de aprovação contra 56,8% de desaprovação – mas isso antes de comprar briga com o papa e divulgar a imagem feita por IA com forte comparação a Jesus Cristo.
Trump sabe muito bem que “é a economia, estúpido” e está fazendo apostas altíssimas na expectativa de conseguir um acordo que o consagre como o homem que impediu o Irã de ter bombas nucleares e ainda baixou o preço da gasolina. Como não disputará uma nova eleição, tem mais espaço para que as coisas deem errado antes de começar a dar certo, se é que isso vai acontecer. Outros nomes da lista premiados por prazos menores, estão em posição bem mais desconfortável.
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