
A ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã destruiu “completamente” a capacidade do país de fabricar mísseis ou outros armamentos sofisticados, afirmou o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, nesta quarta-feira, 8. A declaração veio poucas horas após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os dois países na guerra no Oriente Médio.
“Destruímos totalmente a base industrial de defesa do Irã, um pilar central da nossa missão”, afirmou ele em coletiva de imprensa. “Eles não conseguem mais fabricar mísseis”, assegurou.
Apesar disso, na semana passada, Hegseth havia admitido que a República Islâmica ainda possui capacidade de retaliação após um mês de bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e Israel, embora tenha reiterado que o poder militar iraniano foi prejudicado. “Eles vão lançar mais mísseis; nós vamos abatê-los”, afirmou ele, na ocasião, a repórteres no Pentágono.
A manutenção do potencial militar iraniano foi reforçada por uma declaração do chefe do Estado-Maior conjunto dos Estados Unidos, o general Dan Caine, nesta quarta. Segundo ele, as Forças Armadas americanas estão prontas para retomar os bombardeios caso o Irã viole a trégua, sugerindo que o país ainda tem capacidade de ataque.
“Sejamos claros: um cessar-fogo é uma pausa, e a força conjunta permanece em prontidão”, declarou Caine, ao lado de Hegseth. “Estamos prontos para garantir que o Irã respeite” os termos do acordo, acrescentou o secretário de Defesa.
Estoque de urânio
Além disso, Hegseth advertiu que os Estados Unidos “tomarão” o estoque de urânio enriquecido do Irã caso o país não concorde em entregá-lo voluntariamente. Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, havia afirmado que “não haverá mais enriquecimento de urânio” na nação persa, e que Washington e Teerã trabalharão em conjunto para “desenterrar e remover” a reserva de material nuclear.
O republicano voltou a dizer que a reserva de urânio enriquecido da República Islâmica, estimada em 440kg, foi enterrada após poderosos ataques aéreos americanos lançados em junho do ano passado, que encerraram a chamada guerra de doze dias entre Israel e Irã.
O programa nuclear iraniano está no centro das hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã, que desde o dia 28 de fevereiro criaram um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio. A coalizão israelo-americana acusa Teerã de instrumentalizar seu programa atômico para fins bélicos e justifica a guerra como forma de impedir o avanço da República Islâmica em direção à bomba atômica, que Tel Aviv descreve como “ameaça existencial”.
Embora as autoridades iranianas neguem qualquer tipo de projeto militar nuclear, reiterando que seu programa serve a fins civis e energéticos, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização das Nações Unidas, revelou haver lá urânio enriquecido em até 60%, criando um estoque de mais de 400 quilos do material. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba nuclear.
Apesar de muitas partes da trégua anunciada na noite de terça-feira não estarem claras, alguns dos 15 pontos detalhados pelos Estados Unidos exigem o compromisso do Irã de não possuir armas nucleares, bem como a entrega de seu estoque de urânio altamente enriquecido. A contra-proposta iraniana, com dez pontos, por sua vez, prevê “aceitação do enriquecimento”.
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