Palácio presidencial da França nega entrada de agentes em investigação sobre corrupção



Agentes da brigada financeira e anticorrupção da polícia francesa não foram autorizados a entrar no Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, nesta terça-feira, 14, no âmbito de uma investigação sobre a organização de cerimônias de homenagem no Panteão de Paris, informou o jornal Le Canard Enchaîné.

A apuração judicial examina as condições de contratação de eventos oficiais ligados às chamadas “panteonizações”, cerimônias que homenageiam figuras marcantes da história francesa. Há 22 anos, a organização desses eventos é atribuída à mesma empresa, a Shortcut Events.

De acordo com informações do jornal francês Le Monde, a investigação foi aberta após uma denúncia anônima ao Ministério Público Financeiro no final de 2023 e apura possíveis irregularidades como “favorecimento, corrupção, tráfico de influência e conflito de interesses” na concessão de contratos públicos. 

O acesso direto a setores do Eliseu foi negado com base em uma interpretação constitucional que prevê a inviolabilidade das instalações ligadas à Presidência, afirmou o Ministério Público francês em um comunicado.

O Panteão de Paris, conhecido como o “templo dos imortais”, abriga desde o século XVIII os restos mortais de personalidades que marcaram a história do país. Cabe ao presidente da República decidir quais nomes serão homenageados. De acordo com a imprensa francesa, cada cerimônia pode custar cerca de 2 milhões de euros.

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A investigação abrange eventos realizados desde 2002 até homenagens mais recentes, como a entrada, em outubro do ano passado, do ex-ministro Robert Badinter, responsável pela abolição da pena de morte. A próxima cerimônia está prevista para junho, quando o historiador Marc Bloch, morto pelos nazistas, deverá ser incluído no local.

Esta não é a primeira vez que a Presidência francesa é alvo de buscas judiciais. Em 2018, já no governo de Emmanuel Macron, uma operação semelhante ocorreu visando o escritório de Alexandra Benalla, ex-chefe de segurança da equipe do presidente, como parte de uma investigação por “violência em reunião”, depois de ter sido filmado batendo em manifestantes em Paris.

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