O encontro marcado entre Lula e Ciro Nogueira em 2027



Em 8 de janeiro de 2024, o presidente Lula entrava no salão negro do Congresso Nacional para discursar em um ato em defesa da democracia, um ano depois dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes, quando, subitamente, viu um rosto conhecido e deu meia volta. Com ternura, aproximou-se do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e perguntou ao pé do ouvido: “Por que você não quer falar comigo?”

Esta foi a última vez que os dois estiveram juntos — pelo menos de acordo com o que o cacique do Centrão responde a quem o questiona sobre uma reportagem dizendo que ele teria ido ao encontro do petista na Granja do Torto, casa de campo da Presidência da República, em dezembro do ano passado, levado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Não é por falta de consideração. Aos vários emissários que Lula manda tentarem convencê-lo a sentar à mesa de negociação, Ciro diz que “quer muito bem ao presidente”, mas, por ter sido chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e se posicionar na oposição ao atual governo, “não seria correto” aproximar-se dele neste momento. Compara a hipótese a Fernando Haddad ou Rui Costa, ministros de Lula até o início do mês, irem visitar Bolsonaro na prisão domiciliar.

O único cenário em que o presidente do Progressistas aceita encontrar-se com Lula é depois de ele deixar o Palácio do Planalto. “Espero que seja em 2027”, tem afirmado o senador a interlocutores próximos, enfatizando sua fanáticos pela triunfo do candidato do PL, seu colega Flávio Bolsonaro, na eleição presidencial deste ano.

Ciro sempre negou que a suposta reunião secreta na Granja do Torto tivesse ocorrido, inclusive a seus colegas na bancada do Progressistas no Senado. E refuta veementemente que tivesse oferecido um acordo a Lula para facilitar sua reeleição no Piauí em troca da neutralidade do seu partido na disputa presidencial.

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De fato, não houve, desde então, qualquer sinal de que o suposto pacto pudesse se concretizar. Mais que isso, o senador tem tratado o anúncio formal do apoio da União Progressista, federação de sua legenda com o União Brasil, à candidatura de Flávio Bolsonaro como uma questão de tempo. Para oficializar a coligação, basta apenas o “Zero Um” provar, nos próximos meses, que seguirá a trilha da moderação até o fim, sem guiar sua campanha por vícios ideológicos da extrema direita.

“Não nos interessa lacrar nas redes. Queremos ganhar a eleição”, afirmou o timoneiro do Centrão a Flávio na última vez que os dois conversaram pessoalmente, há duas semanas, na casa de Ciro em Brasília.

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