Austrália autoriza extradição de chilena acusada de sequestrar opositores na ditadura Pinochet



A Austrália confirmou nesta terça-feira, 7, a extradição da chilena Adriana Elcira Rivas González, acusada de torturar e sequestrar sete pessoas durante a ditadura de Augusto Pinochet.

Rivas, hoje na casa dos 70 anos, foi presa em Sydney em fevereiro de 2019, após um pedido de extradição do Chile. Ela vivia na Austrália desde 1978 e trabalhava como babá e faxineira no subúrbio de Bondi. Desde a detenção, permaneceu sob custódia enquanto tentava barrar a extradição na Justiça australiana.

No Chile, a acusada responde por sete casos de “sequestro qualificado” relacionados ao desaparecimento de opositores políticos nos anos 1970, incluindo o de uma mulher grávida de cinco meses. Segundo a investigação, ela teria atuado na Direção de Inteligência Nacional (DINA), órgão de repressão do regime militar. Entre as vítimas está Víctor Díaz, dirigente do Partido Comunista, detido em 1976 e desaparecido desde então. Ela nega as acusações.

Na tentativa mais recente de impedir a extradição, a defesa de Rivas argumentou que a decisão do governo australiano apresentava falhas jurídicas e sustentou que os crimes imputados não estavam tipificados como crimes contra a humanidade na época dos fatos.

O Tribunal Federal de Sydney, no entanto, rejeitou o recurso, afirmando que o pedido chileno se baseia em acusações formais de sequestro qualificado, e não nessa classificação. Com a decisão, Rivas deve ser enviada ao Chile para julgamento.

Dezenas de milhares de chilenos migraram para a Austrália após o general Pinochet liderar um golpe militar que derrubou o governo democraticamente eleito do presidente socialista Salvador Allende, em 1973. Cerca de 40 mil pessoas foram mortas, torturadas ou presas por razões políticas durante o regime ditatorial.

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