
Quem viu a quantidade de seguranças, policiais e agentes da SWAT de armas em punho logo depois que Cole Allen quase conseguiu furar a última barreira antes do salão onde Donald Trump e os principais jornalistas do país começavam o banquete anual da categoria poderia achar que tudo funcionou bem, mesmo numa emergência como a do sábado.
Conclusão errada. E quem afirmou isso foi o próprio autor do atentado frustrado. No manifesto que mandou à família dez minutos antes de tentar ultrapassar a barreira de segurança, Allen, engenheiro mecânico e professor de um curso de preparação para faculdades, ridicularizou a facilidade com que conseguiu acesso ao Hilton de Washington, onde se hospedou para facilitar o atentado.
Suas descrições são de arrepiar. “A segurança do evento é toda no lado de fora, focada em protestos e chegadas porque aparentemente ninguém pensou no que acontece se alguém chegar um dia antes”, descreveu.
“Se eu fosse um agente iraniano e não um cidadão americano, poderia ter levado uma Ma Deuce e ninguém teria notado. Uma loucura”, escreveu Allen, referindo-se ao apelido como é conhecido um tipo de metralhadora de calibre .50.
‘SENSO DE ARROGÂNCIA’
Allen levou uma espingarda Maverick 12, uma pistola Armscore Precision calibre .38 e várias facas, tendo viajado de trem de Los Angeles até Washington para evitar ser detectado. Deu certo: “Entro com múltiplas armas e nem uma única pessoa considera a possibilidade de que eu seja uma ameaça”.
Ele diz ter percebido um “senso de arrogância” nas falhas de segurança notadas em toda parte – no transporte, no hotel e no evento.
São palavras pesadíssimas, inclusive porque depois do atentado que quase matou Trump, com uma bala raspando sua orelha num comício da campanha presidencial em julho de 2024, houve uma grande autocrítica das graves e quase inexplicáveis falhas.
Agora, o mesmo processo se repete, embora o atirador não tenha conseguido acesso direto a seus alvos. Como Cole Allen conseguiu entrar com seu arsenal, montar as armas num ambiente adjacente e, numa disparada impressionante pela velocidade, quase atravessar a sala com detectores de metal e seguranças que lhe daria acesso ao local onde estavam Trump e vários de seus ministros.
MANÍACO COM IDEIA FIXA
Todos eram visados por Allen, que se imaginava um vingador denominado “assassino federal amigável”, buscando revanche para “uma criança detonada ou morta de fome ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desse governo”. Ele também chamou Trump de “pedófilo, estuprador e traidor” s quem não permitiria que “continuasse a sujar sus mãos”.
Contar com desequilibrados desse nível faz parte do trabalho do Serviço Secreto. Foi ao sair de uma palestra no Hilton de Washington que Ronald Reagan foi baleado por John Hinckley Jr., em 30 de março de 1981. Hinckley achava que assim impressionaria a atriz Jodie Foster, por quem havia ficado obcecado depois de vê-la no papel de prostituta infantil no filme Taxi Driver
Hinckley cumpriu a pena e, desde 2022, está em liberdade. A cena do momento em que atira no presidente impressiona até hoje pela facilidade com que teve acesso ao presidente, no trajeto entre o hotel e o carro.
Tudo mudou muito desde então, mas o atentado de Cole Allen mostrou como é difícil impedir um maníaco com uma ideia fixa. E, segundo suas próprias palavras, mostrou como a maior segurança do mundo pode ter falhas quase inacreditáveis.
Imaginem a preocupação em torno da visita que começa hoje do rei Charles aos Estados Unidos.
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