Trump pode encerrar guerra contra Irã mesmo sem reabrir o Estreito de Ormuz, diz jornal



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a seus assessores que está disposto a encerrar a guerra contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado, informou o jornal americano The Wall Street Journal na segunda-feira 30, citando autoridades do governo.

Segundo a reportagem, Trump e sua equipe avaliaram nos últimos dias que uma operação para reabrir a rota marítima prolongaria a guerra para além do prazo de seis semanas estabelecido anteriormente por ele. Diante disso, o presidente americano teria decidido focar em alcançar seus objetivos principais: o enfraquecimento da Marinha do Irã, a destruição de seu arsenal de mísseis e a redução das hostilidades. Em paralelo, exerceria pressão diplomática sobre Teerã para reativar a navegação no Estreito de Ormuz.

Caso o fluxo de navios na região continue interrompido, o republicano considera transmitir a responsabilidade pela reabertura do estreito aos aliados na Europa e no Golfo, disseram as autoridades americanas ao WSJ.

As informações obtidas pelo jornal contrastam com algumas declarações públicas recentes de Trump. Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos ameaçou atacar a infraestrutura energética do Irã caso a nação persa não concorde com um acordo de paz e não abra Ormuz “em breve”. Nesta terça-feira, 31, porém, ele afirmou que os países que não estão conseguindo comprar combustível devem “criar coragem para ir até o estreito e simplesmente tomá-lo”.

“Todos aqueles países que não podem obter combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês: Número 1, compre dos Estados Unidos, ⁠temos muito, e Número 2, criem alguma coragem atrasada, vão para o Estreito e simplesmente PEGUEM”, escreveu Trump em um post na sua rede, a Truth Social.

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Já o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias da guerra com o Irã serão “decisivos” e revelou que visitou as soldados americanos no Oriente Médio no fim de semana passado.

“Os próximos dias serão decisivos. O Irã sabe disso e praticamente não há nada que possa fazer militarmente a respeito”, afirmou Hegseth em uma coletiva de imprensa, sua primeira em quase duas semanas, acrescentando que “as últimas 24 horas registraram o menor número de drones e mísseis inimigos lançados pelo Irã”.

O chefe do Pentágono também afirmou que os “outros países deveriam ouvir quando o presidente fala”, se referindo ao último discurso de Trump, em que detonou aliados que não se juntaram aos Estados Unidos na guerra contra o Irã.

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Crise do petróleo

O Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta, está fechado desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, provocando sucessivas turbulências nos mercados globais. Enquanto isso, refinarias, depósitos de combustível e petroleiros ligados a nações árabes aliadas de Washington tornaram-se alvos iranianos no último mês.

Isso levou o barril de Brent, referência mundial, a disparar de US$ 60, antes da guerra, para mais de US$ 100, atingindo picos próximos a US$ 120.

De acordo com o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, entre 30% e 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foram danificadas ou destruídas pelos ataques retaliatórios do Irã, causando um déficit de 11 milhões de barris por dia nos mercados globais de petróleo. Lescure alertou que a restauração das instalações danificadas pode levar até três anos, e a retomada das operações daquelas que foram fechadas com urgência, vários meses.

A queda no fornecimento já levou a Agência Internacional de Energia (AIE), ligada ao agremiação dos países ricos OCDE, a liberar 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais. O órgão estuda a necessidade de uma nova leva.

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