Sob pressão do governo Trump, Cuba confirma abertura de diálogo com EUA



O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira, 13, que “funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas” com representantes dos Estados Unidos, em um momento de tensão entre Washington e Havana.

O presidente Donald Trump não esconde o seu desejo por uma mudança no regime castrista, chefiado pelo Partido Comunista em território a apenas 150 km dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o país representa uma “ameaça excepcional”, principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.

“Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos”, afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão cubana. “As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, acrescentou.

Díaz-Canel, que também é primeiro secretário do PCC, destacou que essas conversas são facilitadas por “fatores internacionais” que não especificou. Na noite anterior, Havana já havia anunciado a libertação de 51 prisioneiros após discussões com o Vaticano, o histórico mediador entre Cuba e Estados Unidos. O grupo deve ser solto em breve.

Pressão

No início deste ano, o presidente Trump instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências, bravatas intensificadas pelo recado transmitido com a operação americana na Venezuela que depôs e extraditou para os Estados Unidos o ditador Nicolás Maduro, antigo aliado de Cuba.

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Desde meados de janeiro, o republicano assegurou que seu governo já mantinha conversas com altas lideranças da ilha, imersa há seis anos em uma crise sem precedentes, agravada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos.

A crise energética na ilha de 9,6 milhões de habitantes se agravou após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, e a interrupção abrupta dos envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de combustível da ilha nos últimos 25 anos. As Nações Unidas estão negociando com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”.

Díaz-Canel enfatizou que as conversas com Washington buscam “em primeiro lugar identificar quais são os problemas bilaterais que precisam de uma solução a partir da gravidade que têm”. Do mesmo modo, pretendem “determinar a disposição de ambas as partes de concretizar ações em benefício dos povos de ambos os países” e “identificar áreas de cooperação”, detalhou.

Segundo Díaz-Canel, durante o diálogo, Havana expressou sua “vontade de levar adiante esse processo, com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, à soberania e à autodeterminação”.

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