
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, tem pressionado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a continuar com a guerra no Irã, informou o jornal americano The New York Times nesta terça-feira, 24. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, bin Salman teria argumentado que uma campanha militar contra Teerã é uma “oportunidade histórica” para remodelar o Oriente Médio. O conflito foi desencadeado em 26 de fevereiro por ataques conjuntos dos EUA e Israel contra o território iraniano após negociações nucleares fracassarem.
Os líderes têm mantido conversas ao longo da última semana, nas quais o príncipe teria incentivado o republicano a destruir por completo o governo iraniano, de acordo com o NYT. Para tentar convencer o mandatário da Casa Branca, bin Salman teria afirmado que o Irã é uma ameaça de longo prazo para o Golfo. Ele também teria incentivado operações terrestres e o envio de tropas americanas para tomar o controle da infraestrutura energética iraniana, forçando a queda do regime, acrescentaram as fontes.
Riad lida com uma situação complicada. No momento, usa estoques do sistema de defesa aéreo americano Patriot para se defender da ofensiva iraniana. A questão é que os interceptores estão em falta em todo mundo. Embora o príncipe pareça interessado em incentivar as hostilidades, altos funcionários americanos e sauditas demonstram preocupação de que um conflito longo abra espaço para ataques do Irã a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, com efeitos potencialmente devastadores para a economia do reino. Os bombardeios iranianos e as ameaças ao Estreito de Ormuz, rota para o comércio global de petróleo, já têm provocado problemas no mercado e aumentado o temor da disparada dos preços ao redor do mundo.
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Na tentativa de contornar os problemas, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm recorrido a oleodutos para desviar do Estreito. Essas alternativas, contudo, também estão sob ataque. A preocupação de bin Salman, segundo analistas ouvidos pelo NYT, é que o Oriente Médio terá de lidar com um Irã furioso caso os EUA decidam colocar um ponto final na guerra. Mas, pelas vias oficiais, o discurso é outro. Em nota enviada ao jornal americano, o governo saudita negou que o príncipe tenha pressionada pelo prolongamento do confronto.
“O reino da Arábia Saudita sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início”, afirmou em comunicado, acrescentando que autoridades “permanecem em contato próximo com o governo Trump e nosso compromisso permanece inalterado”.
“Nossa principal preocupação hoje é nos defender dos ataques diários contra nosso povo e nossa infraestrutura civil”, continuou. “O Irã optou por uma política de risco perigosa em vez de soluções diplomáticas sérias. Isso prejudica todos os envolvidos, mas principalmente o próprio Irã.”
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