
Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, quer briga: como outros espertalhões de esquerda, percebeu que confrontar Donald Trump pode render apoio eleitoral entre sua tribo e insuflar sentimentos patrióticos que pareciam esquecidos. Tem também a ideia algo destrambelhada de fazer uma união de esquerda, a ponto de convidar presidentes cuja impopularidade só aumenta, como Lula da Silva e Gustavo Petro, para uma conferência no próximo 17 de maio.
Até lá, é possível que a guerra do Irã já esteja encerrada e ele não precise mais fazer o papel de principal líder ocidental na oposição à guerra, a ponto de, primeiro, proibir que aviões americanos decolassem para missões bélicas das suas duas bases na Espanha, em Rota e Morón. Os aparelhos, usados basicamente no reabastecimento de outras aeronaves de guerra, tiveram que ser transferidos para bases na Alemanha. Agora, foi proibido o uso do espaço aéreo para operações relacionadas a \”uma guerra absolutamente ilegal e absolutamente injusta”, nas palavras da ministra da Defesa, Margarita Robles.
É uma provocação a Donald Trump, que ficou bravo, pediu o estudo de sanções e afirmou que “não precisamos de absolutamente nada da Espanha”. Mas ficou por isso mesmo. E Sánchez e companhia acharam ter ficado no lucro: um repto sem resposta ao presidente americano. Como esquerdistas padrão, também acharam bom tirar o embaixador espanhol em Israel, considerando o Estado judeu culpado por tudo. Note-se que nada foi feito ou dito quando o Irã massacrava mais de trinta mil de seus próprios cidadãos, num ato de enorme perversidade e magnitude.
Mas a estratégia do governo espanhol tem um ponto fraco: devido à história e à proximidade geográfica, a Espanha tradicionalmente cultiva laços com países muçulmanos do Norte da África e árabes em geral. Muitos deles estão agora sendo atacados pelo Irã, não só em bases americanas em seus territórios, mas em prédios civis, hotéis e aeroportos. Condenar os Estados Unidos e impor restrições a suas movimentações militares prejudica diretamente os países árabes que a Espanha tanto cultiva, a ponto de o rei emérito Juan Carlos II, que abdicou em desgraça, ter encontrado um confortável refúgio nos Emirados Árabes Unidos.
FORÇAS ESPECIAIS
Pedro Sánchez viu na guerra, repudiada pela opinião pública, um bom meio de promover a popularidade do governo, altamente desgastada depois de dez anos no poder, com apenas 32% de aprovação. Ele já se destacava como um dos países com menores gastos de defesa na aliança da Otan, contrariando as pressões para que os países europeus invistam 5% de seus orçamentos em defesa, principalmente depois que a Rússia se tornou uma ameaça muito mais concreta, com a invasão da Ucrânia. Os gastos da Espanha não chegam a 2%.
Donald Trump pode não estar comprando esta briga agora, mas não parece o tipo de sujeito que releve ofensas do tipo. Todas as atenções estão concentradas na hipótese de que os Estados Unidos usem forças terrestres para tomar a ilha de Kharg e desafogar o Estreito de Ormuz, com o Irã ameaçando tomar soldados americanos como reféns.
Ormuz virou o foco da guerra, mas é bom lembrar que o objetivo principal é impedir que o Irã tenha urânio com grau de enriquecimento compatível com bombas nucleares – entra aí a segunda possibilidade de uma operação de forças especiais para capturar os estoques preservados, uma intervenção mais arriscada ainda.
Resumindo: a extensa destruição de alvos militares e a decapitação de líderes não redundou na eliminação do regime, o Irã ainda tem uma capacidade razoável de provocar estragos nos vizinhos, a população que bravamente saiu às ruas no começo do ano está intimidada, a linha mais radical do Guardiões da Revolução assumiu posições importantes, o Estreito de Ormuz está estrangulado, o petróleo está subindo e o urânio continua nas mãos erradas.
Não é um bom momento para a Espanha fazer seu showzinho paralelo.
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