
A persistente indefinição para formação das chapas ao governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo após reunião entre o senador Humberto Costa (PT-PE) e os presidentes do PSB, João Campos, e do PT, Edinho Silva, na qual eles definiram que farão o que for possível para evitar que haja mais de duas candidaturas ao Senado no campo político deles. O acordo pressiona a ex-deputada Marília Arraes, podendo empurrá-la de vez para a chapa de Campos, como ela deseja, ou escanteá-la da disputa pelo Senado no estado.
“Nós não temos condição de participar de um processo que tenha três candidaturas ao Senado. A disputa do Senado é a maior prioridade do PT aqui em Pernambuco em particular, e nós queremos garantir a eleição de um senador do PT. Se nós formos para uma disputa com três nomes, isso divide os votos do campo progressista e, portanto, não há hipótese de o PT participar de um processo desta forma”, declarou Humberto Costa sobre a reunião em entrevista coletiva após uma agenda no município de Buenos Aires, na zona da mapa pernambucana, neste domingo, 8.
Atualmente, Costa é o único nome confirmado para uma das duas vagas ao Senado na chapa de João Campos, que é também prefeito da capital, Recife, e lidera as pesquisas de intenção de votos ao governo. A reeleição de Humberto Costa ao Senado é uma prioridade declarada do PT no estado e sua presença na chapa de Campos é um pedido do partido e do próprio presidente Lula, como acordo por não terem lançado candidatos petistas nas eleições de 2022 e 2024, mas decidido apoiar o PSB.
A segunda vaga ao Senado na chapa de Campos vem sendo disputada nos bastidores por:
- Marília Arraes, que se filiará nos próximos dias ao PDT;
- Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, filiado ao Republicanos e aliado de primeira hora de Campos;
- Miguel Coelho (União), ex-prefeito de Petrolina;
- deputado Eduardo da Fonte (PP).
Marília lidera as pesquisas isoladamente, com mais de dez pontos à frente de Humberto Costa, que empata tecnicamente no segundo lugar com alguns dos outros nomes, mas a sua presença na chapa desagradaria João Campos, segundo interlocutores do prefeito, que dizem que ele acredita que “pegaria mal” uma parceria com a prima após os dois terem se enfrentado pela prefeitura do Recife em 2020. A situação chegou a levar Marília a fazer um acordo para desistir do Senado e disputar uma vaga de deputada federal, mas seu desempenho superior nas pesquisas a fez voltar atrás e seguir no caminho por uma cadeira no Senado.
Já fora do Solidariedade, partido no qual ficou nos últimos quatro anos, e aguardando a data de sua filiação ao PDT, o que deve ocorrer na primeira quinzena de março, Marília tem o aval do presidente do partido, Carlos Lupi, para seguir na disputa ao Senado. “É candidata ao Senado, decidido. Não tem volta”, afirmou Lupi para VEJA ao ser questionado sobre o assunto. Ao mesmo tempo, aliados da neta de Miguel Arraes dizem que ela está disposta a bater de frente com a decisão de Campos e Humberto, e lançar-se candidata ao Senado de maneira avulsa, sem uma chapa, caso não conquiste o último espaço. “Ela está disposta. A prioridade é a chapa, senão vai avulsa”, confirmou uma fonte próxima ouvida pela reportagem.
Ainda assim, nenhum sinal foi dado sobre uma eventual preferência de Marília na chapa. Humberto Costa, também neste domingo, chegou a falar que poderia estar ao lado de Eduardo da Fonte. “Não temos nenhum tipo de veto a quem quer que seja. Tenho uma relação excelente com Eduardo, já estivemos juntos em várias eleições. O que a gente quer é construir uma chapa que tenha dois senadores, um governador e um vice, e não uma chapa com três pessoas [ao Senado], ainda que seja de forma avulsa. Esse é um ponto que nós não vamos abrir mão”, afirmou.
Na semana passada, Marília publicou um vídeo nas redes sociais no qual declarou seu apoio a João Campos para o governo estadual e a Lula para a Presidência, se colocando oficialmente como pré-candidata ao Senado — e deixando claro que está disposta a ir até o fim por seu espaço.
Veículos de imprensa locais passaram a considerar uma possibilidade de Marília disputar ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), visto que o PDT declarou que pode mudar de lado, passando se não tiver espaço na chapa de Campos. No entanto, as duas não têm uma boa relação pessoal e não conversam desde o segundo turno de 2022, quando se enfrentaram pelo comando do estado.
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