
Os rebeldes huthis do Iêmen deram neste sábado, 28, um passo decisivo ao ingressar oficialmente no conflito que desde o final de fevereiro sacude o Oriente Médio. O grupo lançou mísseis balísticos contra alvos militares em Israel, marcando a primeira operação do movimento aliado do Irã desde o início da guerra — deflagrada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano e mataram o líder supremo Ali Khamenei.
Em vídeo divulgado na rede social X, um porta-voz huthi confirmou o ataque e classificou a ofensiva como a “primeira operação” do grupo contra Israel. O Exército israelense anunciou a interceptação dos projéteis, sem registrar vítimas ou danos no território.
Até então, os huthis haviam se mantido à margem do conflito, apesar de comporem o chamado “eixo da resistência” — a rede de movimentos armados financiados e apoiados por Teerã. A mudança de postura representa uma escalada significativa, com potencial de ampliar o alcance geográfico da guerra e complicar ainda mais a situação econômica global.
Mar Vermelho: o ponto mais sensível
A entrada dos huthis no conflito acende um alerta imediato para a navegação no Mar Vermelho. A rota tem sido usada pela Arábia Saudita para escoar petróleo pelo porto de Yanbu, como alternativa ao Estreito de Ormuz — passagem estratégica sob controle iraniano por onde transitava, antes da guerra, 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Durante o conflito entre Israel e Hamas em Gaza, entre 2023 e 2025, os huthis já haviam perturbado essa rota com ataques a navios comerciais. A retomada dessa prática ameaça agravar a crise de abastecimento e pressionar ainda mais os preços do petróleo e do gás, já elevados desde o início das hostilidades.
Frentes abertas e manobras diplomáticas
O conflito segue se alastrado pela região. Neste sábado, o Irã reivindicou um ataque a um navio logístico americano próximo ao porto de Salalah, em Omã. Há ainda relatos de ofensivas contra aeroportos no Kuwait e em Erbil, no Curdistão iraquiano, além de mísseis e drones disparados contra uma zona industrial nos Emirados Árabes.
Em paralelo, Israel prossegue com bombardeios ao território iraniano, incluindo centrais nucleares e a principal siderúrgica do país, a Khuzestan Steel.
No campo diplomático, o enviado especial americano Steve Witkoff afirmou acreditar que o Irã aceitará negociar “esta semana”. Washington aguarda resposta de Teerã a um plano de paz de 15 pontos. Enquanto isso, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Egito articulam mediações em Islamabad nos próximos dias — numa corrida contra o tempo para conter um conflito que já ameaça desestabilizar a economia global.
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