
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira, 2, que Teerã agradece a posição do governo Lula, que condenou os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano no último sábado. Segundo o diplomata, a manifestação de Brasília representa uma “ação valorosa” em defesa da soberania, da integridade territorial e dos direitos humanos.
“Recebemos a declaração do governo brasileiro sobre os ataques contra o Irã e agradecemos a condenação do ato de agressão dos EUA. Vemos essa posição como valorosa, pois reafirma valores humanos, soberania e independência dos governos”, declarou Nekounam a jornalistas na embaixada iraniana, em Brasília.
Na avaliação do embaixador, o Irã foi alvo de uma ofensiva e reage com base no “direito legítimo de defesa”. Ele afirmou que não haverá limites para as respostas enquanto os ataques persistirem.
“Fomos atacados e estamos nos defendendo. Não há restrição às nossas respostas diante das ações dos EUA e do regime sionista. Se formos atingidos, responderemos de forma firme”, afirmou.
Nekounam classificou ainda como “ataque criminoso” um bombardeio que, segundo autoridades iranianas, matou mais de 170 meninas em uma escola no país — episódio que, de acordo com o diplomata, tornou inevitável uma reação de maior escala.
A posição do Brasil
No sábado, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota manifestando “grave preocupação” diante da ofensiva e condenando os ataques contra o Irã. O comunicado apelou para que todas as partes respeitem o direito internacional e exerçam “máxima contenção”, a fim de evitar a escalada das hostilidades e proteger civis.
Em meio à deterioração do cenário no Oriente Médio, o presidente Lula conversou nesta segunda-feira com o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, para avaliar possíveis iniciativas diplomáticas do Brasil, entre elas a atuação do Itamaraty na tentativa de contribuir para o arrefecimento da crise.
Negociações nucleares e crise regional
O embaixador iraniano afirmou que as negociações para retomar o acordo nuclear foram interrompidas após a escalada militar. Ele acusou Washington de usar as conversas como “farsa” e de buscar a mudança do regime iraniano. Segundo Nekounam, o Irã já havia respondido aos questionamentos apresentados pela Agência Internacional de Energia Atômica antes do início dos ataques.
O diplomata também comentou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela significativa do petróleo transportado no mundo. De acordo com ele, a liderança iraniana já havia alertado que qualquer ofensiva poderia desencadear uma crise de alcance regional. Para Teerã, o bloqueio é consequência direta da decisão americana e israelense de iniciar os bombardeios.
O conflito
A atual escalada começou no sábado, quando forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram ataques contra alvos estratégicos no Irã sob a alegação de conter ameaças ligadas ao programa nuclear do país. A ofensiva resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, além de outras autoridades militares de alto escalão.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e bases americanas na região, ampliando rapidamente o confronto e elevando a preocupação internacional com os impactos econômicos e geopolíticos da crise.
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