Em meio à crise energética, empresas privadas em Cuba começam a importar combustível



Diversas empresas do setor privado de Cuba realizaram nas últimas semanas as primeiras importações de combustível para o país, afetado por uma profunda crise energética que já interrompe serviços básicos e agrava a escassez de bens essenciais, segundo informações confirmadas pela AFP nesta segunda-feira, 2.

O movimento ocorre após o governo dos Estados Unidos, que aplica um bloqueio energético a Havana, flexibilizar a política de restrições e autorizar a venda de petróleo e derivados ao setor privado cubano, desde que esses produtos não sejam destinados a empresas estatais ou controladas pelos militares. A decisão é justificada por Washington como uma medida de “razões humanitárias”.

Um empresário cubano, que pediu anonimato, afirmou à AFP ter importado recentemente um isotanque — contêiner utilizado no transporte de combustíveis — a partir dos Estados Unidos. A carga desembarcou no porto de Mariel, a cerca de 50 quilômetros de Havana, e já foi levada à capital para uso imediato. “Sem combustível não podemos funcionar”, afirmou o empresário, que atua no atacado de alimentos e já negocia novas remessas.

Especialistas do setor privado alertam, porém, que a alternativa ainda é limitada por entraves logísticos e financeiros.

Flexibilização por ‘razões humanitárias’

Na semana passada, o governo de Donald Trump anunciou que permitirá que empresas solicitem licença para revender petróleo venezuelano ao setor privado cubano, alegando “razões humanitárias”. A medida foi formalizada pelo Departamento do Tesouro e busca, segundo Washington, apoiar cidadãos e negócios independentes, em meio a alertas de crise humanitária.

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A decisão ocorre após meses de endurecimento da política americana contra Havana. Em janeiro, Trump bloqueou envios de petróleo venezuelano para Cuba depois da captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos. A operação ampliou a tensão regional e agravou ainda mais o desabastecimento na ilha.

Apesar da flexibilização, autoridades americanas deixaram claro que a suspensão das sanções pode ser revertida se o combustível acabar beneficiando empresas governamentais ou ligadas às Forças Armadas.

Do lado cubano, o governo acusa os Estados Unidos de praticar um “bloqueio energético” com o objetivo de aprofundar problemas internos e forçar mudanças políticas. Críticos também apontam que a volatilidade das importações privadas não é suficiente para compensar a perda dos volumosos embarques de décadas atrás, especialmente diante de obstáculos operacionais e financeiros

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Historicamente, quase todo o combustível consumido em Cuba é importado pelo Estado, com a Venezuela como principal fornecedora nas últimas décadas, além do México. A combinação de sanções americanas ao petróleo venezuelano e da pressão diplomática sobre aliados de Havana reduziu drasticamente esses fluxos.

No plano internacional, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou para o risco de “colapso humanitário” caso Cuba não consiga importar combustível suficiente para atender às necessidades básicas da população.

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