
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo 15 que solicitou a cerca de sete países o envio de navios de guerra para “garantir a segurança” e abrir o Estreito de Ormuz, vital rota marítima que o Irã fechou desde o início da guerra no Oriente Médio, fazendo disparar os preços do petróleo mundialmente.
O ocupante do Salão Oval alegou que já obteve “respostas positivas”, embora tenha admitido que alguns dos países contatados “preferem não se envolver”. Por ora, seus apelos não deram resultados concretos.
Ele se recusou a especificar os países que fariam parte da coalizão, mas afirmou que poderia abordar o assunto com o presidente chinês, Xi Jinping, ameaçando adiar uma cúpula planejada com o líder a depender da posição de Pequim.
Trump acrescentou esperar que “China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros” enviem navios de guerra para ajudar a garantir a segurança da importante rota marítima por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. O presidente americano alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos, enfrentaria “um futuro muito ruim” se os países membros não prestarem auxílio.
“É apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, afirmou ele em entrevista ao jornal britânico Financial Times, acrescentando que “se não houver resposta ou se for uma resposta negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”.
Resposta cautelosa
Até o momento, Austrália e Japão afirmaram que não planejam enviar navios e o governo da China, quando questionado sobre o assunto pela emissora americana pediu apenas o fim imediato das hostilidades. Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar a passagem com segurança.
Nesta segunda-feira, 16, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, anunciou que a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, “não tem nada a ver com a Otan”. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que elabora um plano “viável” com seus aliados para reabrir o Estreito de Ormuz , mas garantiu que isso não envolverá a aliança militar ocidental.
“Estamos trabalhando com todos os nossos aliados, incluindo nossos parceiros europeus, para elaborar um plano coletivo viável que possa restaurar a liberdade de navegação na região o mais rápido possível e amenizar os impactos econômicos”, afirmou Starmer a jornalistas nesta segunda. “Deixe-me ser claro, isso não será e nunca foi cogitado como uma missão da Otan”, acrescentou.
O líder britânico enfatizou que, embora seu país esteja “tomando as medidas necessárias para se defender e defender seus aliados, não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla”.
Enquanto isso, o preço do petróleo continua subindo, tendo atingido no domingo 15 o patamar mais alto desde julho de 2022, e os ataques terrestres continuam a abalar o Oriente Médio.
De acordo com a agência marítima britânica UKMTO, o Estreito de Ormuz permanece sob ameaça “crítica”, embora nenhum incidente tenha sido relatado nos últimos três dias. Pelo menos 20 embarcações foram atacadas no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã desde o início da guerra, informou a agência.
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