Crescimento urbano é mais acelerado sobre áreas de risco, diz pesquisa



Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Falta de planejamento e de fiscalização levaram a urbanização brasileira a avançar de forma mais acelerada justamente sobre áreas ambientalmente mais vulneráveis do que na média nacional. Dados do MapBiomas, divulgadas nesta quarta-feira, 4, mostram que, entre 1985 e 2024, a área urbana do país cresceu 2,5 vezes — de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares, com média anual de 70 mil hectares. No mesmo período, a ocupação em terrenos de alta declividade, mais suscetíveis a deslizamentos, triplicou, saltando de 14 mil para 43,4 mil hectares, dos quais 40,5 mil na Mata Atlântica. Já as áreas urbanizadas situadas até três metros acima da drenagem mais próxima — indicador de vulnerabilidade a enchentes — aumentaram 145%, passando de 493 mil para 1,2 milhão de hectares. O avanço das favelas ocorreu em ritmo ainda maior: cresceram 2,75 vezes em quatro décadas, superando a média nacional de urbanização, com expansão de 150% em encostas e de mais de 200% em áreas próximas a cursos d’água. O levantamento também revela que 25% da expansão urbana sobre áreas naturais (670 mil hectares) ocorreu em zonas classificadas como de segurança hídrica crítica, atingindo 1.325 municípios e evidenciando um descompasso estrutural entre crescimento urbano e disponibilidade de água.

Palco de uma tragédia recente, provocada pelas enchentes e desmoronamenos de morros e casas, Minas Gerais ocupa lugar de destaque neste processo. É o território com maior área urbanizada em alta declividade no país: a ocupação nessas áreas triplicou desde 1985, alcançando 14,5 mil hectares em 2024.  Um recorte mais aprofundado em cima da principal cidade afetada pelas chuvas de fevereiro, Juiz de Fora, mostra ela é a terceira cidade brasileira com maior urbanização em encostas acima de 30% de inclinação, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo, com crescimento de 2,3 vezes no período. Proporcionalmente, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram as maiores altas (sete e seis vezes, respectivamente), enquanto Rio de Janeiro e São Paulo concentram extensas áreas urbanizadas em cotas críticas de drenagem. No total, 60% de toda a expansão urbana brasileira ocorreu nos últimos 40 anos, em ritmo mais que o dobro do crescimento populacional, consolidando um padrão de espraiamento que amplia a exposição a riscos hidrológicos e geotécnicos — justamente em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes.

Publicidade


🔗 Ver fonte

Comentários