
Na semana em que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que institui o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, o instituto de pesquisa SEC Newgate divulgou um estudo que aponta que 59% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais caro por produtos fabricados no país.
Em linhas gerais, esse índice revela em certa medida que a maioria da população não concorda com uma das premissas do tratado comercial, que vai, entre outras coisas, ampliar a entrada de produtos estrangeiros no Brasil por meio da redução de tarifas de importação.
“O que a pesquisa sugere, na verdade, é que a aceitação da abertura comercial depende menos da redução de tarifas em si e mais da capacidade de demonstrar benefícios concretos, como o aumento da competitividade e oportunidade para empresas locais”, explicou Thyago Mathias, consultor da SEC New Gate.
O estudo mostrou também que apenas 38% dos brasileiros defendem que tarifas sobre produtos estrangeiros deveriam ser utilizadas para proteger a indústria doméstica, um dos índices mais baixos entre os países analisados pelo estudo.
Os dados foram apresentados recentemente no Fórum Econômico Mundial, em Davos. O levantamento mostra que grande parte dos consumidores do Brasil apoia a regionalização da produção, apesar de não haver consenso sobre quais setores da economia deveriam ser priorizados.
A entidade realizou mais de 20.000 entrevistas com pessoas de 20 países diferentes entre os dias 22 de agosto e 14 de setembro do ano passado. A SEC Newgate pretende apresentar esse estudo na Câmara dos Deputados na próxima quarta-feira (4), dia do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da criação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Coordenador da Frente Parlamentar em defesa do Acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, o deputado federal Fernando Marangoni (União-SP) defendeu o tratado comercial e garantiu que ele não vai prejudicar a indústria brasileira. A Câmara dos Deputados aprovou, por votação simbólica, o texto do acordo.
“Patriotismo econômico não significa fechar a economia. A grande ameaça para a indústria brasileira não é a concorrência externa, mas o isolamento”, afirmou. “Países que ficam de fora de grandes acordos acabam perdendo investimento, tecnologia e participação nas cadeias globais”, acrescentou.
Além de estabelecer uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, integrando cerca de 780 milhões de consumidores, o acordo, lembra o deputado, também vai ajudar as indústrias a reduzir custos com equipamentos e tecnologia e fortalecer a produção interna com mais eficiência e presença em outros mercados.
🔗 Ver fonte
Comentários
Postar um comentário