
Os opostos ali não só se atraem, como convivem na mais perfeita harmonia. Neste caso, se trata do novo com o antigo, da modernidade com a tradição e do high-tech com o milenar. Maior área metropolitana do mundo, Tóquio, com 37 milhões de habitantes (14 milhões deles só na área central), é uma cidade de grandes contrastes. Neste pedaço do arquipélago, situado no leste da Ásia, o ritmo frenético e os prédios ultrarrojados, apinhados de neon, convivem lado a lado com a placidez dos templos seculares. Mesmo com a altíssima densidade demográfica – em vários momentos, os corredores das estações de metrô e de trem parecem verdadeiros formigueiros humanos –, a organização e a disciplina são outros pontos que fazem da capital do Japão uma metrópole ímpar.

Foi para este tão surpreendente quanto sedutor destino que a colunista viajou, a convite da Nomad – plataforma global aceita em mais de 180 países que oferece conta internacional, cartão de débito, chip e seguro viagem – e já saiu querendo voltar. Tóquio, principal porta de entrada do Japão, como todo o país, entrou na rota dos lugares mais almejados pelos turistas no planeta. Só em 2025, a nação registrou um recorde de 42,7 milhões de visitantes estrangeiros – no ano anterior tinham sido 36,9 milhões. Um dos fatores que tem contribuído para o boom japonês é a desvalorização histórica do iene, que atingiu em 2024 e vem mantendo em 2026 patamares, não vistos há décadas, frente ao dólar e ao euro. Só para se ter uma ideia, a moeda nipônica enfrentou uma queda acumulada superior a 30% desde 2022.
Centro global de lançamentos tecnológicos, de moda e de gastronomia – é a cidade com o maior número de restaurantes com estrelas Michelin do planeta, com mais de 170 estabelecimentos –, reúne características que se somam a mais um atrativo recente: Tóquio e o Japão como um todo viraram um almejado destino de compras. Só para se ter uma ideia, o país é o local onde se adquire, por exemplo, celulares mais baratos. Tênis de diversas marcas esportivas também apresentam ali preços para lá de convidativos. Dados dos cartões Nomad, que reiteram o relatório de tendências do Hilton (estudo anual global que analisa comportamentos, desejos e motivações de viajantes), mostram um recente aumento do turismo ali também em supermercados. Cerca de 77% dos viajantes relataram que gostam de explorar mercados locais para experimentar comidas e bebidas típicas.
Os kombinis – como são chamadas as lojas de conveniência no Japão – atestam essa corrida de turistas para experimentar produtos locais com baixo custo. A pesquisa da Nomad mostra ainda alguns dos locais preferidos dos viajantes para fazer compras, aparecendo em destaque as lojas da Apple, da rede Don Quijote (famosa no país por vender uma enorme variedade de produtos, entre cosméticos, eletrônicos, roupas e souvenirs) e da Uniqlo, a gigante japonesa do varejo de roupas casuais, especialmente casacos ultraleves.

As comprinhas, não há como ignorar, fazem parte do roteiro da maior parte dos viajantes brasileiros ou não. Aliado a isso – afinal, ninguém é de ferro –, a colunista tentou otimizar ao máximo os seis dias que passou na capital japonesa. Para isso, contou com o apoio das empresas Nextb Business Turismo e Nextb Consulting, que dão suporte e criam soluções inovadoras para viagens corporativas, individuais e de famílias pelo país. Apesar de ter visitado Kamakura, cidade litorânea a apenas uma hora de trem de Tóquio, e conhecido Hakone, destino serrano também vizinho da metrópole e de onde se tem uma vista privilegiada do Monte Fuji, minha viagem foi essencialmente pela grande metrópole. Só um detalhe: Tóquio, que foi fundada em 1457, se tornou a capital do país em 1868, substituindo Quioto após a Restauração Meiji. A cidade foi reconstruída após o grande terremoto de Kanto (1923) e dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial.

Atrações, aliás, não faltam nessa histórica e efervescente cidade. Em Tóquio, o viajante tem à sua disposição uma série de templos seculares – são em torno de 2000 só na capital e a maioria de seu povo segue o xintoísmo ou o budismo –, onde é possível ver e sentir a tradição enraizada, ou então pode se entregar à modernidade estampada por todos os lugares. Por toda a cidade, há uma infinidade de museus, bares e restaurantes; espaços temáticos (de Hello Kitty e do Snoopy a locais dedicados à cultura maid e a animais como capivaras e porquinhos); locais para experimentar o Onsen (banho público japonês); conhecer a “Cerimônia do Chá” nipônica vestido com um quimono típico; ou então “brincar” em uma das lojas de “capsule toy”, uma febre no país. Nestes locais, há inúmeras maquininhas, onde se paga valores que costumam partir de 600 ienes (20 reais), e, após rodar uma manivela, sai uma miniatura de um personagem dentro de uma cápsula.
Todas essas experiências são realçadas pelas características do povo nipônico, sempre organizado, disciplinado e atencioso. Mesmo que a maior parte da população tenha dificuldade em falar inglês – o que vale até para os mais jovens –, essa carência é suprida pela receptividade da população japonesa.
Para facilitar a vida do viajante na capital nipônica, a coluna selecionou sete bairros imperdíveis entre as 23 principais regiões da cidade. Conheça a seguir:

ASAKUSA:
Localizado no shitamachi (cidade baixa), o bairro é conhecido por oferecer uma atmosfera do “antigo Japão” e abrigar o Senso-ji, o templo mais famoso da cidade (século VII), com sua icônica lanterna vermelha na entrada. O local mescla tradição com uma vibrante oferta de comida de rua – sobretudo na via Nakamise –, inúmeras lojinhas de doces, receitas típicas e lembrancinhas (concentradas na rua comercial Nakamise-dori) e um roteiro arquitetônico que evoca a era Edo (1603-1867). Apesar de ter sido destruída durante ataques aéreos em 1945, a região foi meticulosamente reconstruída preservando seu estilo original. Entre os programas ali, vale ir a um de seus bares em estilo retrô que servem Denki-Bran, bebida alcóolica com ervas famosa na era pós-guerra. Outra dica é caminhar pela área do Parque Sumida, famoso na época das cerejeiras e por ter vista para a Tokyo Skytree – torre de 634 metros de altura, que conta com dois observatórios (Tembo Deck e Galleria).

SHIBUYA:
É considerado um dos bairros mais vibrantes e icônicos da capital japonesa. Epicentro da cultura jovem, Shibuya mistura moda, vida noturna agitada, tecnologia e inúmeros prédios com os emblemáticos letreiros de neon. Ali fica o cruzamento de pedestres mais famoso e movimentado do mundo, o Shibuya Crossing. Quando os sinais ficam vermelhos para carros, há gente vindo de todos os lados. Estima-se que a cada dois minutos, passem por este trecho 3000 pessoas. Nos finais de semana, essa quantidade dobra. Um detalhe vale ser visto por quem visita o local: a estátua do Hachiko, o fiel cão que esperou por seu dono por dez anos e cuja história foi retratada no filme “Sempre ao Seu Lado” (2009), estrelado por Richard Gere. O bairro, famoso pela cultura pop e anime, é frequentemente retratado no cinema, como em Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio. Não deixe de ir a Center Gai, uma rua de pedestres cheia de lojas, restaurantes e vida noturna; e de conhecer o Shibuya Sky, que oferece vistas panorâmicas da metrópole.
SHINJUKU:
Visto como o “coração pulsante” de Tóquio, o bairro tem como uma de suas características o fato de o comércio ficar aberto até mais tarde do que em outros pontos da cidade. O local abriga a estação de trem mais movimentada do mundo, com dezenas de saídas, conexões e público massivo. A exemplo de uma das características da capital japonesa, o bairro também é cheio de contrastes. Ao mesmo tempo que ostenta arranha-céus futuristas, com fachadas cobertas por neons multicoloridos, também fica ali um oásis de tranquilidade, o jardim Shinjuku Gyoen, um dos maiores e mais bonitos parques de Tóquio. O bairro ainda é famoso pela intensa vida noturna e por abrigar estabelecimentos gigantescos, como a de eletrônicos Bic Camera e a de souvenirs Don Quijote, e várias lojas de departamentos. Um bom lugar para conhecer no bairro é o Skyscrapers, que fica no lado oeste da estação de trem e abriga um centro de negócios, incluindo a sede do Governo Metropolitano de Tóquio. Este prédio oferece observatórios da cidade gratuitos.

AKIHABARA:
Chamado também de “Akiba” ou “Cidade Elétrica”, o local é um centro da tecnologia e da cultura otaku – que envolve os animes (animações), mangá (quadrinhos), videogames, cosplay, jogos retrô e cultura pop japonesa em geral. Paraíso geek, oferece as mais variadas lojas, que vão das especializadas em figures (bonecos colecionáveis) até aquelas que contam com uma infinidade de maquininhas de “garra” (claw cranes), onde o consumidor tenta pegar bichinhos de pelúcia e eletrônicos. É neste bairro, por exemplo, que fica a maior parte dos Maid Cafés. Nestes locais, que precisam ser reservados com antecedência, o consumidor é atendido por garçonetes vestidas como empregadas domésticas e os clientes são tratados como “mestres”. A experiência inclui momentos em que o consumidor tem que imitar as “maids” e até tirar uma foto com ela num pequeno palco. Embora soe estranho, esses cafés fazem muito sucesso entre os japoneses. Mais duas curiosidades do bairro: há várias lojas de segunda mão que oferecem relíquias de videogames e action figures (figuras articuláveis e colecionáveis); e existem no local prédios inteiros dedicados a jogos de arcade – videogames clássicos projetados para máquinas operadas por moedas.

GINZA:
O bairro é considerado um dos mais sofisticados e elegantes não só de Tóquio, mas do mundo. Reúne lojas de alto padrão, a maioria das grifes de luxo do planeta, além de lojas de departamento centenárias e arquitetura moderna. O nome da região significa “lugar prateado”, em uma referência à antiga casa da moeda de 1612. A Chuo-Dori, a principal rua do bairro, é repleta de marcas exclusivas, como Chanel, Louis Vuitton e Dior, com prédios inteiros dedicados a uma única marca. Vale prestar a atenção ao Ginza Wako, o edifício icônico com um relógio na torre e também um dos símbolos do lugar. Outro destaque é a Hakuhinkan Toy Park, uma das lojas de brinquedos mais antigas do Japão, fundada em 1899. É em meio a este cenário sofisticado que fica também o teatro Kabukiza, o principal local na cidade para assistir ao tradicional teatro Kabuki, oferecendo apresentações clássicas. Junto com edifícios modernos e arrojados, o bairro ainda oferece várias galerias de arte e grandes lojas de departamento, como as históricas Matsuya e Mitsukoshi.

HARAJUKU:
Epicentro da moda urbana, alternativa e da cultura kawaii (fofa) japonesa, Harajuku fica localizado entre os bairros Shinjuku e Shibuya. Imperdível na região é andar pela Takeshita-dori, sua principal e mais famosa rua, um calçadão estreito e cheio de lojas de roupas ousadas, acessórios exóticos, além de muitos cafés temáticos e lojas que vendem o famoso algodão doce colorido gigante. Outra rua obrigatória no bairro é a Omotesando, conhecida como a “Champs-Élysées de Tóquio. A grande e arborizada avenida conta com lojas de luxo, arquitetura moderna e o sofisticado shopping Omotesando Hills. Contrastando com essa efervescência, a poucos metros da agitação da Takeshita, por exemplo, os visitantes encontram o Santuário Meiji-Jingu, em meio a uma área muito arborizada. O bairro, não se pode deixar de falar, é o berço de estilos como Lolita, Punk e Decora – caracterizada pela estética exageradamente colorida, infantilizada e pelo uso excessivo de acessórios. Para quem quer ter uma experiência completa, vale ir lá aos domingos, quando a ponte perto da estação de Harajuku vira ponto de encontro de jovens vestidos com trajes excêntricos e de cosplay.

CHIYODA:
Centro poder no Japão, Chiyoda abriga o Palácio Imperial, a Dieta Nacional (poder legislativo supremo do Japão) e ministérios. O bairro é conhecido por ser uma mescla da história com a modernidade, sendo um local altamente vibrante e seguro. É nesta região que também fica o Marunouchi, um grande distrito financeiro, repleto de arranha-céus modernos e sedes de grandes empresas. Além de ser um polo de escritórios, o local abriga o Parque Kitanomaru, o Budokan (conhecido local de shows) e o santuário Yasujuni. As principais atrações para os turistas, no entanto, são passear pelos jardins orientais (East Gardens), ver a ponte Nijubashi (famosa entrada em arco de ferro que leva ao Palácio Imperial) e visitar o Kokyo Gaien – os jardins externos, novamente, do Palácio Imperial, que foi erguido no local do antigo Castelo de Edo. Chiyoda, definitivamente, é um lugar onde a história feudal do Japão se encontra com o palco das decisões políticas e financeiras do país.

A colunista viajou a convite da Nomad, uma plataforma conhecida por tornar os serviços financeiros globais mais democráticos e acessíveis. O cartão Nomad é aceito em mais de 180 países para compras virtuais e presenciais e permite saques em caixas eletrônicos (ATMs). Além do cartão de débito, a fintech oferece opções de conta internacional (sem taxa de abertura nem taxa mensal de manutenção), chip e seguro viagem. Possui mais de 3,5 milhões de clientes ativos.
Nextb Business Turismo: a agência de turismo com quase dez anos no mercado oferece soluções inovadoras e gestão estratégica em viagens corporativas e de famílias, com atendimento exclusivo 24 horas. E-mail: atendimento@nextbb.com.br, tel. (+55) 15 99657-5595
Nextb Consulting: com guia em português, oferece acompanhamento de viagem privativa de norte a sul do Japão para executivos, famílias, pequenos grupos e experiências solo. E-mail: miriam@nextbb.com.br, tel. (+81) 090-6840-8306
Marcio Sugayama Photography (MSP): Acompanhamento nas viagens, tornando a experiência no país ainda mais especial. E-mail: deptofoto.ms@hotmail.com, tel. (+81) 070-2447-7329
Com o olhar cultivado em redações por mais de 30 anos, convido você a viajar pelo mundo, por aqui. Nesse amplo e diversificado roteiro, cabem um destino encantador, uma suíte especial, uma experiência única, uma curiosidade do setor e tudo mais que possa instigar quem está de malas prontas ou sonha em pôr o pé na estrada. Siga também o perfil no Instagram @omundodesofia_cerqueira
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