
Os números mais recentes do Banco Central escancaram um retrato preocupante: 49,7% das famílias brasileiras estão endividadas, com 29,2% da renda comprometida com o pagamento de dívidas. A inadimplência em janeiro subiu 5,2% para as pessoas físicas. E como se não bastasse, no crédito, os juros seguem salgados — média de 61% ao ano para pessoa física, 25,2% para empresas.
Inadimplência x endividamento
Para a economista Natalie, é preciso separar o joio do trigo. “Toda vez que você é inadimplente, é aquele que você deixa de pagar. Quando você é endividado, você tem uma dívida a ser paga”, explica. A diferença parece sutil, mas muda a análise: é possível estar endividado e manter as contas em dia. O drama começa quando a renda não acompanha o tamanho das parcelas.
Cartão de crédito
Ela chama atenção para o cartão de crédito como principal vilão do orçamento doméstico. “A gente acaba se assustando com esse tipo de indicador justamente porque não se tem esse regramento em termos de educação financeira”, afirma. Sem planejamento, o rotativo vira armadilha — e, com juros que podem chegar a 400% ao ano, a dívida cresce numa velocidade que o salário não alcança.
Falta fôlego financeiro
Natalie também lembra que o começo do ano é tradicionalmente mais pesado, com IPVA, IPTU, seguros e material escolar pressionando o caixa das famílias. Mas, para ela, o problema é mais estrutural. “O brasileiro acaba não tendo o que a gente chama de uma qualidade de renda”, diz. Mesmo com desemprego mais baixo, falta fôlego financeiro. E, nesse cenário, enfrentar juros tão elevados é, nas palavras dela, entrar numa “bola de neve praticamente impossível de sair”.
EUA têm 1% de juros no cartão
Pior mesmo é o que a economista chama de abusividade dos Juros, ao comparar o Brasil com os EUA, ela classifica as taxas nacionais como extremamente abusivas: “Os Estados Unidos têm juros de cartão de crédito de 1% ao ano… Agora, 400% ao ano você entra numa bola de neve que é praticamente impossível de você sair”, conclui.
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