
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou a oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de enviar um “grande navio-hospital” para a ilha ártica.
Em uma publicação feita no domingo, 22, na rede social Facebook, Nielsen afirmou “não, obrigado” para a sugestão de Trump, que insinuava uma possível má qualidade do sistema de saúde público do país.
“Não, obrigado. A ideia do presidente Trump foi anotada. Mas temos um sistema público de saúde onde o tratamento é gratuito para os cidadãos”, escreveu o premiê, ainda ressaltando que Nuuk segue aberto para qualquer diálogo e cooperação. “Falem conosco em vez de ficarem fazendo comentários aleatórios nas redes sociais”, afirmou ele.
O navio-hospital foi citado pela primeira vez no sábado, 21, quando Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial da embarcação USNS Mercy em sua rede Truth Social, afirmando que ela estava a caminho da ilha. “Vamos enviar um grande navio-hospital para a Groenlândia para cuidar das muitas pessoas que estão doentes e não estão recebendo cuidados lá”, escreveu o republicano.
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A declaração atraiu reações imediatas por parte de autoridades dinamarquesas. “Uma iniciativa especial de saúde na Groenlândia não é necessária”, afirmou o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen. Segundo ele, a população recebe todo o atendimento médico necessário na ilha, e se for necessário um tratamento especializado, eles são encaminhados para a Dinamarca, país que controla o território ártico.
Já a premiê dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou se considerar “feliz por viver em um país onde o acesso à saúde é gratuito e igual para todos”. Em uma aparente crítica ao sistema de saúde dos EUA, que não é universal, Frederiksen ainda destacou que a Groenlândia é um lugar “onde o seguro de saúde ou a riqueza não determinam se alguém recebe um tratamento digno”.
Relação abalada
Dinamarca e Estados Unidos cultivam uma forte relação diplomática há anos, com ambos estando atrelados militarmente por meio da Otan desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a nova passagem de Trump pela Casa Branca tem testado a força desses laços, uma vez que o republicano tem exercido uma pressão constante para tomar o controle da Groenlândia, território rico em minérios e localizado em uma posição estratégica.
De acordo com Trump, a posse da ilha é um assunto de segurança nacional para os Estados Unidos. O mandatário chegou a recusar descartar o uso de força militar para ocupar o território, provocando uma escalada das tensões entre Washington e seus aliados na Europa. O cenário só foi amenizado após o estabelecimento de um acordo “estrutural” firmado pelo presidente americano junto ao secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em janeiro.
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