
O Brasil vive um momento raro: desemprego baixo, em torno de 5,2%, e uma massa salarial maior, cenário que economistas classificam como pleno emprego. Para a economista e professora Carla Beni, isso é um dado estrutural importante. “Um país não cresce sustentavelmente com uma multidão de desempregados dispostos a aceitar qualquer salário”, costuma argumentar. Ainda assim, a sensação nas ruas é outra — e ela não ignora esse desconforto.
Custo de vida mais alto
A percepção de que a vida não melhorou, mesmo com mais gente empregada, tem explicação. Segundo Beni, o custo de vida global pós-pandemia subiu de forma significativa. Os países saíram da crise sanitária mais endividados, com inflação pressionada e cadeias produtivas sendo redesenhadas. O resultado é um mundo mais caro — e o Brasil não ficou fora desse movimento.
Serviços mais caros
Há também um detalhe importante dentro da inflação. Embora os alimentos tenham subido menos do que o índice geral no último ano, os serviços ficaram bem mais caros. E são justamente eles que pesam no dia a dia: transporte, lazer, educação, cuidados pessoais. É esse tipo de gasto que faz o trabalhador empregado sentir que o salário “some” mais rápido, mesmo quando a renda melhora no papel.
Economia segue aquecida
Ainda assim, Beni chama atenção para um paradoxo curioso. A reclamação é generalizada, mas a atividade econômica segue muito aquecida. Restaurantes cheios, aeroportos lotados, hotéis ocupados e shows esgotados convivem com a narrativa de aperto. A economista resume o momento como um descompasso entre percepção e realidade: a economia cresce perto de 3% ao ano, mas o aumento do custo de vida faz com que o avanço demore mais a ser sentido no bolso — e no humor das pessoas.
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