
Uma delação de 2019, firmada por três operadores do mercado financeiro — Christian Rego, Felipe Fonseca e Bruno Moraes –, revela uma nova face dos negócios de Daniel Vorcaro e o pai Henrique Vorcaro, antes das aventuras do Banco Master.
Os delatores apresentaram provas de como levantaram 100 milhões de reais junto a fundos estatais para financiar a operação dos Vorcaro na construção do Hotel Golden Tulip BH, que seria o maior e mais luxuoso de Minas Gerais.
Segundo os delatores, a fortuna foi obtida por meio de pagamento de propina a gestores de fundos de previdência de servidores de prefeituras e de estatais. Uma vez realizado o aporte, o dinheiro era desviado por meio de notas frias de empresas de fachada.
Operadores de propina do PT e da Odebrecht, doleiros, como Fayed Traboulsi, e políticos, como Anthony Garotinho, atuaram nas fraudes ocorridas em 2011, segundo os delatores.
O hotel não chegou a ser concluído porque o dinheiro, desviado, foi insuficiente para terminar a obra, dizem os delatores.
O Golden Tulip BH seria um empreendimento de alto luxo anunciado pelos Vorcaro como grande investimento para a Copa do Mundo de 2014.
Com 410 quartos e um centro de convenções, o empreendimento, segundo os delatores, tinha promessa de retorno financeiro de 350 milhões de reais.
A falta de experiência de Vorcaro e o pai na construção civil teria feito com que falhas no projeto consumissem mais recursos que o previsto, segundo os delatores.
Segundo os delatores, Vorcaro chegou a chantagear os integrantes do esquema para receber dinheiro, mediante ameaça de revelar o pagamento de propinas a gestores de fundos públicos e o uso de empresas de fachada.
“Os conflitos de interesse do incorporador, ciente dos pagamentos irregulares por empresas de fachada, pressionava e chantageava os colaboradores para que liberassem recursos — esses com finalidades estranhas ao objeto específico da incorporação — com aperto de caixa do incorporador, o incorporador determinava que se não tivesse liberação de determinado valor, não seguiria a obra no prazo determinado ou falaria das liberações de propina paga, neste caso, para os distribuidores através de apresentação de empresas de fachada, realizados pelos fundos de pensão”, diz a delação obtida pelo Radar.
Os delatores citam operações fraudulentas e pagamento de propina para liberação de recursos de fundos de pensão como Electra, Serpros e Refer.
Também são citados fundos de prefeituras, como Manausprev, de Manaus, Ipamb, de Belém, Igprev, do Tocantins, e Macapáprev, de Macapá.
O pagamento de propina por liberação de recursos ainda se deu no Faps São Sebastião (SP), Naviraíprev, no Mato Grosso do Sul, e o fundo de previdência de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.
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