
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira, 17, o presidente interino José Jerí, alvo de duas investigações da Procuradoria-Geral por suposto “tráfico de influência”.
Antes à frente do Congresso, Jerí assumiu o poder em 10 de outubro, após a destituição da então presidente Dina Boluarte, em meio a uma onda de protestos massivos contra corrupção e violência no país. Seu mandato é transitório e termina em 28 de julho, quando deverá transferir o cargo ao vencedor das eleições gerais marcadas para 12 de abril.
O atual presidente enfrenta até sete pedidos de censura apresentados por parlamentares da oposição de esquerda e por partidos de direita que o acusam de “má conduta funcional e falta de idoneidade”.
A censura pode ser aprovada por maioria simples — diferentemente do impeachment, que exige 87 votos entre os 130 parlamentares. Caso Jerí seja destituído, um novo presidente do Congresso será eleito imediatamente para assumir a chefia do Executivo, conforme determina a Constituição do país.
O líder do partido Renovação Popular, Rafael López Aliaga, que lidera as pesquisas para as eleições de abril, pediu a renúncia de Jerí.
“Não deve haver espaço para dúvidas nem negociações. As evidências de corrupção, incompetência e trivialidades de Jerí são contundentes”, escreveu o congressista de esquerda Jaime Quito no X (antigo Twitter) sobre o debate.
Acusações contra Jerí
As acusações contra Jerí ganharam força em janeiro, quando a Procuradoria abriu uma investigação preliminar contra o presidente interino por suposto “tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses”, após a revelação de uma reunião não divulgada com um empresário chinês que mantém negócios com o governo. O presidente negou irregularidades e afirmou que não renunciará.
Na sexta-feira, a Procuradoria-Geral abriu uma segunda investigação contra Jerí pelo crime de “tráfico de influência”, devido à suposta intervenção do político na contratação de nove mulheres para cargos no governo entre outubro e janeiro. A investigação tem como objetivo determinar “se o presidente exerceu influência indevida nessas nomeações”.
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