
Sindicatos de diferentes setores da Argentina decidiram fazer uma nova paralisação nesta sexta-feira, 27, em meio ao início da votação no Senado da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei.
A greve, que tem duração prevista de 24 horas, foi organizada pela Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos. Segundo a FreSU, diversos serviços serão afetados, incluindo polícias municipais, agentes de trânsito e coleta de lixo. Nos hospitais, apenas o número mínimo de funcionários está garantido.
Os manifestantes devem se concentrar a partir das 10h na Avenida de Mayo, em Buenos Aires, e seguir em marcha até o Congresso. O lema escolhido para o ato é “Contra a reforma trabalhista, pelos nossos direitos e por aumentos salariais já”.
Diferentemente da paralisação realizada na semana passada, a nova greve não conta com o apoio da Confederación General del Trabajo (CGT), que optou por aguardar o resultado da votação e, em caso de aprovação da reforma, recorrer à Justiça.
A reforma trabalhista, um objetivo crucial da segunda metade do mandato de Milei, já havia sido aprovada pelo Senado na semana passada, mas sofreu modificações na Câmara dos Deputados, o que significa que deverá retornar à câmara alta para a aprovação definitiva, que o governo espera obter antes de março. O Senado argentino também deve discutir nesta sexta a redução da maioria penal do país de 16 para 14 anos, apoiada por Milei.
O projeto econômico, considerado “regressivo e inconstitucional” pela central sindical argentina CGT, integra o pacote de reformas estruturais defendido pelo presidente ultraliberal para reduzir custos trabalhistas, estimular investimentos e formalizar empregos em um mercado em que cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade.
Entre os principais pontos do texto estão:
- Ampliação do período de experiência para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos, com indenizações reduzidas;
- Flexibilização da jornada de trabalho, permitindo até 12 horas diárias com compensação de horas;
- Mudanças nas regras de demissão e possibilidade de parcelamento de indenizações;
- Restrições ao direito de greve em serviços essenciais, exigindo funcionamento mínimo entre 50% e 75%;
- Flexibilização das férias e alterações na negociação coletiva;
Para viabilizar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original, incluindo a retirada de um artigo que permitiria o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais.
A reforma não se aplica a servidores públicos nacionais, provinciais ou municipais, exceto nas regras relativas a greves em serviços essenciais.
Segundo a Pesquisa Permanente de Domicílios do Indec, referente ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o que representa taxa de desocupação de 6,6%.
Apesar do índice relativamente estável, o país enfrenta inflação elevada, perda de poder de compra e forte ajuste fiscal promovido pelo governo.
Desde que assumiu, Milei implementou cortes de gastos públicos e medidas de desregulação econômica que dividiram o país.
Enquanto setores empresariais defendem as reformas como necessárias para recuperar a confiança e atrair investimentos, sindicatos e movimentos sociais acusam o governo de precarizar direitos históricos dos trabalhadores.
A greve desta quinta-feira e seus efeitos, inclusive no Brasil, evidenciam a dimensão regional da crise política e econômica argentina, num momento em que o governo tenta acelerar mudanças estruturais sob forte contestação social.
🔗 Ver fonte
Comentários
Postar um comentário