
A disputa global por minerais críticos vai ganhar um capítulo brasileiro na agenda dos engenheiros. A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) vai incluir propostas para o aproveitamento estratégico de terras raras e outros minerais críticos na nova edição do projeto Cresce Brasil, que será lançada em 15 de junho, quando a iniciativa completa 20 anos.
O movimento tenta colocar o Brasil em uma discussão que já virou prioridade industrial e geopolítica no mundo. Hoje, empresas chinesas respondem por cerca de 90% da separação mundial de terras raras e por fatia semelhante da produção de ímãs permanentes — componentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de armazenamento de dados e outras tecnologias sensíveis. A produção global desses ímãs é estimada em cerca de 150 mil toneladas por ano.
Nos bastidores da entidade, a avaliação é que o Brasil não pode se limitar ao papel tradicional de fornecedor de matéria-prima. A ideia é defender uma política que estimule beneficiamento, pesquisa, engenharia e industrialização no país, ampliando a captura de valor em uma cadeia que tende a ficar cada vez mais estratégica.
A pauta também conversa com a tentativa do governo e do setor produtivo de reposicionar o Brasil na transição energética. Para a FNE, terras raras e minerais críticos precisam entrar na agenda de desenvolvimento não apenas como ativo mineral, mas como base para uma política industrial de maior valor agregado.
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